Carros e edifícios movidos a algas?

Isso mesmo.

As algas têm efeito crucial sobre a atmosfera, não só como a mais importante fonte de oxigênio, mas como potenciais fontes de energia.

A demanda de energia no planeta aumenta de forma acelerada, em função do aumento da população mundial e do consumo, principalmente nos países em desenvolvimento. Os combustíveis fósseis, principais fontes de energia disponíveis hoje, são responsáveis pela emissão de gases que intensificam o aquecimento global. A gravidade desse fato poderia ser atenuada através do aproveitamento indireto da energia solar para obter combustíveis derivados de vegetais, que podem ser plantados e cultivados praticamente pelo mundo inteiro, de forma renovável e não poluidora.

Baseado nesse cenário, as microalgas têm sido propostas como uma potencial alternativa para a produção de biocombustíveis e até mesmo como fonte de energia direta para edifícios, através do biogás.  

Microalgas e os biocombustíveis

Pesquisas indicam que a produção de biocombustíveis a partir de microalgas poderá mudar radicalmente o mercado de combustíveis.  Comparativamente às fontes vegetais convencionais, nenhuma garante produtividade tão elevada quanto às microalgas. Enquanto um hectare (10 000m²) cultivado com dendê e um hectare cultivado com cana-de-açúcar permitem a produção de, respectivamente, 4 mil litros e 8 mil litros de biocombustíveis por ano, o cultivo de microalgas em um corpo-d ’água com a mesma dimensão permitiria produzir mais de 200 mil litros.

De cultivo simples, as microalgas podem ser produzidas em tanques abertos com profundidade de pouco mais de 10 cm e alimentadas, por exemplo, com dejetos de suinocultura e águas residuais de esgotos. Além disso, sua produção não requer uso de adubos químicos; sua massa pode ser duplicada várias vezes por dia; a colheita pode ser diária; o cultivo pode ser realizado em zonas áridas e ensolaradas, inclusive em regiões desérticas; trata-se de uma matéria-prima não alimentícia e sustentável; e seu cultivo em tanques com água do mar minimiza o uso de terra fértil e água doce potável.

Não é de agora que pesquisadores tentam extrair de algas, combustível. As primeiras pesquisas sobre o tema aconteceram nos Estados Unidos, na década de 70, no auge da crise do petróleo. No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), desde 2012 coordena alguns projetos e a julgar pelos resultados, o Centro de Pesquisa acredita estar diante da terceira geração de bicombustíveis. Atenta a essa importante fonte de energia a Petrobrás, em parceria com algumas universidades federais, desenvolve pesquisas para a produção em larga escala no Brasil.

Microalgas e o biogás

Na Alemanha, um edifício de 15 apartamentos apresenta uma fachada composta por persianas formadas por microalgas marinhas que conseguem gerar energia através de processos bioquímicos. Além de produzir eletricidade, a solução tecnológica ajuda a manter agradável a temperatura interna do edifício, dispensado refrigeração artificial.

Edifício BIQ, prédio gera sua própria energia a partir de algas (Divulgação/)

Cultivadas entre as placas de vidro da fachada, as algas captam tanto o calor solar como o gás carbônico da atmosfera. Em troca, devolvem uma biomassa que é transformada em biogás, distribuído na forma de energia elétrica ou de calor. Além de purificar o ar e acender lâmpadas, as algas funcionam como uma persiana natural, que bloqueia a luz do sol e resfria o espaço interno nos dias mais quentes. Autossustentável o prédio não precisa de nenhuma outra fonte de energia.

Com todo esse potencial energético, as algas acabam motivando pesquisas no mundo todo. Projeto muito parecido com o do edifício BIQ vem sendo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia Autossustentável (NPdeas) da Universidade Federal do Paraná. O plano é cultivar as algas para que elas forneçam energia suficiente para abastecer um prédio com seis apartamentos.

Existem algumas etapas importantes a serem vencidas até que essas estratégias se tornem economicamente viáveis – muito tempo, muita pesquisa e muito investimento ainda são necessários. As pesquisas estão avançadas em todo o mundo, e os próximos anos trarão mais novidades.

Fontes: https://exame.abril.com.br/mundo/primeiro-predio-movido-a-algas-surge-na-alemanha/

https://exame.abril.com.br/mundo/primeiro-predio-movido-a-algas-surge-na-alemanha/

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of