Você sabia que possuímos uma estação de pesquisa na Antártica?

A Estação Comandante Ferraz foi criada em 1984. O Brasil faz parte de um grupo de 29 países que têm estações científicas na Antártica. Essa presença é considerada muito importante porque, de acordo com o Tratado Antártico, só os países que desenvolvem pesquisas na região poderão definir o futuro do continente. 

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a Antártica é administrada por meio de um regime internacional baseado em um sistema de convenções e documentos, que definiu as atividades de pesquisa como sendo o propósito fundamental da ocupação da região. 

O Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) é um programa interinstitucional, com execução compartilhada pelos seguintes órgãos: Ministério da Defesa (MD); Ministério das Relações Exteriores (MRE); Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Ministério de Minas e Energia (MME); e o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

A nova Estação

Um incêndio destruiu a antiga base brasileira na Antártida em 2012, dois militares morreram e 70% das suas instalações foram perdidas.. A nova base foi inaugurada no dia 15 de janeiro deste ano (2020), oito anos depois do acidente, e o conjunto de laboratórios de pesquisa têm sido apontado por cientistas como um dos mais modernos da península.

Estação Comandante Ferraz pegou fogo em fevereiro de 2012
Estação Comandante Ferraz pegou fogo em fevereiro de 2012 – Divulgação/Maria Rosa Pedreiro/Universidade Federal do Paraná

O governo federal investiu cerca de US$ 100 milhões na nova obra. No local, pesquisadores vão realizar estudos nas áreas de Biologia, Oceanografia, Glaciologia, Meteorologia e Antropologia.

A estrutura, de dois longos blocos, abriga 17 laboratórios e alojamentos onde ficarão pesquisadores de áreas como microbiologia, medicina, química e meio ambiente. Ao todo, são 4.500 m², quase o dobro da área da base antiga, e há capacidade para 64 pessoas.

Novas Instalações inauguradas esse ano.  Foto: Divulgação Marinha do Brasil

As pesquisas

Segundo o Ministério da Ciência, há pesquisas sendo desenvolvidas que trarão benefícios para as áreas da medicina, com a formulação de medicamentos; da agricultura, no desenvolvimento de novos pesticidas e herbicidas; e da indústria, na fabricação de produtos como anticongelantes e protetores solares.

Ao todo, estão sendo desenvolvidos 19 projetos de pesquisa. Confira alguns deles:

Vigilância epidemiológica

O fluxo dos micro-organismos é tema de análise destes pesquisadores. Os pesquisadores da Fiocruz (que pela primeira vez tem um laboratório na Antártica para se dedicar ao estudo de microorganismos)recolheram amostras da água de degelo, do mar, e das praias. Ao longo da pesquisa, também serão coletadas amostras de fezes de animais e pássaros e carcaças.

A ideia é estudar esses microrganismos para serem utilizados em protótipos de antibióticos ou novos fármacos.

DNA ambiental

A análise de DNA das amostras recolhidas já permitiu que fossem encontrados sinais de uva, cebola e até pachouli na Antártica. Os pesquisadores imaginam que o DNA tenha sido levado por turistas, que frequentam uma área com águas quentes em uma cratera de vulcão.

A análise do DNA também permite identificar as plantas do continente, que crescem submetidas a condições ambientais muito extremas (como frio, ventos, raios ultravioleta e escuridão total durante o inverno).

Biotecnologia

Os musgos da Antártica conseguem sobreviver a temperaturas menores de -80°C. Os cientistas investigam quais os mecanismos físicos e biológicos são responsáveis por esta condição. Já os fungos produzem substâncias que têm propriedades antibióticas, pigmentos e enzimas que podem levar ao desenvolvimento de novos produtos e medicamentos.

Clima

O clima na América do Sul é fortemente influenciado pela Antártica. Por isso as pesquisas que estão sendo feitas para investigar as mudanças climáticas e o equilíbrio do ecossistema são de extrema importância.

Os estudos analisam também o impacto do degelo no nível do mares, a reconstrução paleoclimática e também a química da atmosfera a partir de amostras de gelo que guardam as substâncias químicas de cada época, segundo o Ministério da Ciência.

Se quiser saber mais sobre o funcionamento da nossa estação, assista o vídeo abaixo, disponibilizado pela Marinha do Brasil:

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-01/apos-incendio-base-de-pesquisa-na-antartica-sera-reinaugurada-hoje

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/01/12/Como-%C3%A9-a-presen%C3%A7a-de-pesquisadores-do-Brasil-na-Ant%C3%A1rtida

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/01/17/o-brasil-na-antartica-veja-quais-sao-as-pesquisas-desenvolvidas-na-estacao-comandante-ferraz.ghtml

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/01/12/Como-%C3%A9-a-presen%C3%A7a-de-pesquisadores-do-Brasil-na-Ant%C3%A1rtida

http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8901/1/td_2425.pdf

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-01/apos-incendio-base-de-pesquisa-na-antartica-sera-reinaugurada-hoje

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