Aproveitando a nossa websérie sobre a radioatividade que está BOMBANDO (Para assistir clique AQUI) vamos falar hoje sobre o maior desastre nuclear da história.

A série Chernobyl está fazendo o maior sucesso entre o público e tem recebido críticas excelentes. Os episódios se passam em 1986 na Ucrânia e conta as causas do acidente e todo jogo político por trás da história.

Imagem: HBO
Créditos: Adoro Cinema
http://www.adorocinema.com/series/serie-22429/

É claro que todo mundo já ouviu falar da usina de Chernobyl, mas você sabe realmente o que aconteceu? Vem comigo, que eu te conto!

26 de abril de 1986, 1h27 da madrugada

Explode o reator de número 4 da Usina V. I. Lenin, localizada na cidade de Pripyat, a cerca de 20 km da cidade de Chernobyl, na extinta União Soviética (atual território ucraniano)

By AwOiSoAk KaOsIoWa, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=53206789

Durante um teste de segurança a usina acabou sofrendo uma sobrecarga de energia, fazendo com que o sistema de resfriamento falhasse. Com o superaquecimento do núcleo, o reator não suportou e explodiu matando todos que estavam trabalhando no local.

O teto do reator que pesava mais de mil toneladas foi arrancado, lançando pelo ar fragmentos de grafite e plutônio em alta temperatura. O urânio também pegou fogo e foi lançado na atmosfera.

Radiação faz mais vítimas

As primeiras pessoas a chegarem ao local (bombeiros, jornalistas, policiais) receberam tanta radiação que acabou causando sua morte. Foram utilizados areia e boro para diminuir o incêndio e a dispersão do material radioativo.

A população de 50 mil habitantes da cidade de Pripyat só foi evacuada depois de 36h da explosão, apesar da gravidade do acidente. Para se ter noção, no dia seguinte após a explosão os moradores ficaram expostos a uma radiação 50 vezes maior do que a normal da atmosfera. A população foi informada de que se tratava de uma mudança temporária, deixando seus pertences, comida e até animais domésticos. 

Cidade de Pripyat atualmente

Enquanto isso, a radiação era levada pelo vento para outras regiões, como o norte da Europa, acabando com milhares de hectares de terras cultiváveis e com a vida selvagem da região

A ação dos liquidadores

Cerca de 800 mil pessoas foram chamadas para conter o incêndio e os danos em Chernobyl, eram soldados, cientistas, bombeiros, mineiros e operários, que foram chamados de liquidadores. No dia 06 de maio o incêndio foi controlado, foi criada uma operação para conter o fogo e foram despejadas toneladas de chumbo e areia com a ajuda de helicópteros.

A cientista Elena Kozlova ao lado de ‘liquidadores’ na central de Chernobyl, em junho de 1986. VÍDEO: EPV
Créditos: El País
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/08/internacional/1560020430_159280.html

Muitas dessas pessoas enviadas a Chernobyl não sabiam dos riscos que corriam, mas acabavam aceitando pelo patriotismo e pelos salários acima do padrão da época. Porém, após algumas semanas começaram a surgir vítimas nos hospitais com queimaduras profundas pelo corpo e deterioração da medula óssea, devido à exposição à radiação. 

Esses trabalhadores foram expostos a níveis de radiação de 8.000 a 16.000 mSv, o equivalente a uma margem de 80.000 a 160.000 radiografias de tórax. 

By AwOiSoAk KaOsIoWa, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=53206739

Doses de radiação de 50 a 200 mSv podem levar a danos cromossômicos, doses de 200 a 1.000 mSv podem causar uma queda temporária na contagem do número total de glóbulos brancos no sangue. A chamada “síndrome aguda da radiação”, estágio mais grave da exposição pode surgir a partir de 2.000 mSv, sendo que a morte dentro de poucos dias se torna inevitável para aqueles que sofrem uma exposição maior que 10.000 mSv.

Segundo a ONG Chernobyl Union, que presta apoio às vítimas do acidente, 35 mil dos liquidadores morreram por causa da radiação e outros 95 mil apresentam sequelas da alta exposição. O governo ucraniano estima que apenas 5% dos membros de equipes de resgate e limpeza ainda vivos estão saudáveis.

De quem foi a culpa?

O governo soviético organizou uma comissão para  investigar e definir quais foram as causas do acidente. A resposta que se tem é que o desastre foi causado por vários erros humanos e violações de procedimentos de segurança. 

O operador da usina cometeu o erro de desativar o mecanismo de desligamento automático do reator e das quatro das oito bombas de água que o refrigeravam durante o teste de segurança. Quando se percebeu a situação, a reação nuclear já estava extremamente instável, e a quantidade de energia que ele produzia já ultrapassava 100 vezes a sua potência usual.

Para tentar frear a reação nuclear, os técnicos da usina bombearam xenônio para o interior do reator, que continha pastilhas com cerca de 210 toneladas de urânio-235 (gás que absorve os nêutrons emitidos pela fissão nuclear). 

Foi necessário inserir manualmente hastes que continham o elemento boro para controlar a emissão de nêutrons, já que o procedimento normal com o uso de xenônio não controlou a instabilidade do reator. Porém, ao serem inseridas, as hastes expeliram certo volume de água do reator, consequentemente, a água restante sobreaqueceu e evaporou, causando a explosão.

Seis pessoas foram julgadas pelo acidente. Dessas, três foram condenadas a dez anos de prisão: Viktor Bryukhanov o diretor da usina, Nikolai Fomin o engenheiro-chefe, e Anatoly Dyatlov o engenheiro-chefe adjunto.

Bryukhanov e Dyatlov cumpriram cinco anos de prisão e foram anistiados. Bryukhanov reside atualmente em Kiev, e Dyatlov morreu em 1994 em consequência da exposição à radiação. Fomin teve um surto mental e tentou se matar, ainda durante o julgamento, sendo depois transferido para uma clínica psiquiátrica.

Consequências 

Além dos impactos econômicos que foram decisivos para o fim da União Soviética, o trauma causado na população, as perdas humanas e ambientais foram assustadoras.

A Bielorrússia foi o país mais afetado, sendo que cerca de cerca de 60% da radiação emitida pelo reator se concentrou no território do país. 

 Cerca de 23% do território bielorrusso foi contaminado e, com isso, o país perdeu cerca de 264 mil hectares de terras cultiváveis por conta da radiação. Além disso, ¼ das florestas bielorrussas foram contaminadas e, atualmente, entre um e dois milhões de pessoas vivem em território contaminado, dados da UNSCEAR (ONU). Países como a  Suécia, Escandinávia, Países Baixos, Bélgica, Reino Unido, Eslováquia, Romênia, Bulgária, Grécia, Turquia e Polônia, sendo a Ucrânia, a Bielorrússia e a Rússia foram os mais atingidos.

Monitor de índices de radiação necessários para visitar as ruínas da cidade.
By AwOiSoAk KaOsIoWa, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=53206748

No caso da população, o nível de câncer entre os bielorrussos e ucranianos aumentou cerca de 40 vezes em crianças e 7 vezes em adultos, após a explosão. Em relação ao número de mortos, o assunto ainda é polêmico. Alguns afirmam que dois trabalhadores morreram durante a explosão, 29 pessoas morreram alguns dias depois da exposição a radiação, e 18 morreram devido ao surgimento de doenças por causa do contato com a radiação.

Mesmo 30 anos depois, uma zona de 30 km ao redor da usina permanece fechada. A sensação é de que  a cidade saiu de um filme de terror, as visitas acontecem com guias e monitores de índice de radiação e apenas por algumas horas. O local mais perigoso de toda a região que engloba as ruínas do reator destruído de Chernobyl, agora está contido sob uma enorme cobertura de metal. Ainda que esse local seja altamente radioativo e provavelmente permanecerá assim por até 20.000 anos, a cúpula  que o envolve evita a propagação da radiação.

Você teria coragem de visitar essa cidade fantasma? 

Fonte: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/ucrania-tragedia-na-usina-nuclear-de-chernobyl-completa-30-anos.htm

https://www.tricurioso.com/2019/06/24/e-seguro-visitar-chernobyl-nos-dias-atuais/

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/08/internacional/1560020430_159280.html

https://brasilescola.uol.com.br/historia/chernobyl-acidente-nuclear.htm

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/24/cultura/1558697040_440107.html

https://www.nei.org/resources/fact-sheets/chernobyl-accident-and-its-consequences

https://www.unscear.org/unscear/en/chernobyl.html

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of