De acordo com a Sociedade Brasileira de Transplante de Órgãos, em 2018, a média das famílias que se recusaram a doar os órgãos de seus parentes com morte cerebral foi de 41%. Um dos maiores motivos é porque o parente não manifestou o desejo de ser doador de órgãos enquanto ainda estava vivo!

Além disso, ainda há muita falta de conhecimento sobre a morte encefálica. Cabe a equipe do hospital explicar à família que a morte encefálica já é a morte. Quando ela é decretada é porque ocorreu a parada definitiva e irreversível do cérebro e do tronco cerebral, o que provoca em poucos minutos a falência de todo o organismo. 

Se ainda existem tantos casos de negação à doações de órgãos, será que não haveria uma forma de substituir os órgãos humanos?

Coração artificial

Você já viu o episódio de Grey’s Anatomy em que um coração é produzido por uma impressora 3D? Assistindo à série eu fiquei com aquela esperança que em breve todos que precisam de transplantes poderão recorrer à soluções como essa! Mas ainda não é bem assim! 

No Brasil  já importamos os corações artificiais, porém, são de modelos mais antigos. Para se ter ideia, eles chegam a custar R$ 600 mil aqui no nosso país.  O Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre esse custo, mas alguns planos chegam a pagar uma parte do valor.


Existem centros de pesquisa, como o Hospital Sírio Libanês e o Instituto do Coração (Incor), que desenvolvem pesquisas no nosso país para reduzir o custo e desenvolver soluções alternativas. Esse ano, por exemplo
o Hospital Sírio-Libanês esteve presente na 40ª edição do Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), oferecendo informações ao público presente sobre o Centro de Cardiologia, Pronto Atendimento Cardiovascular e o novo hospital em Brasília (DF), e com a realização de um Simpósio Satélite, que neste ano terá como tema “Novas evidências terapêuticas na insuficiência cardíaca: suporte circulatório avançado”. 

Os aparelhos conhecidos como corações artificiais têm a função de dar assistência ao ventrículo esquerdo, onde se inicia a aorta, artéria responsável por distribuir, à partir do 

coração, sangue oxigenado para o restante do organismo. Por isso, ajudam a garantir o bombeamento adequado do sangue em pacientes com insuficiência cardíaca. A doença é caracterizada pela incapacidade de o músculo cardíaco realizar esse bombeamento corretamente. Calcula-se que trinta mil brasileiros apresentem a condição. 

Olha esse exemplo: Em 2015, Gustavo Henrique de Oliveira, com nove meses de vida na época, aguardava por um coração. O Incor conseguiu importar um ventrículo artificial  par implante, e o Laboratório de Bioengenharia passou a desenvolver um modelo próprio.

Para conseguir projetar esse coração artificial infantil, outros centros de pesquisa da Universidade de São Paulo, do Penn State Hershey, Imperial College e Fraunhofer IWS/Alemanha se envolveram para ajudar.

O ventrículo que o Gustavo recebeu é uma alternativa temporária, que permite que o paciente aguarde por mais tempo a chegada de um doador. Processo que na maioria das vezes chega a demorar até anos. 

Em 2018 foi importado, pela primeira vez no Brasil, o que é considerado o mais moderno coração artificial do mundo. É o modelo da terceira geração do HeartMate3, considerado um avanço de tecnologia pelo seu mecanismo de funcionamento e também um salto de qualidade de vida para o paciente em relação aos modelos anteriores. 

O primeiro implante do produto no Brasil foi feito no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, pelas mãos do cirurgião cardíaco Fábio Jatene, com acompanhamento da cardiologista clínica Juliana Giorgi e do médico holandês Jaap Lahpor, consultor da empresa Abbott, que desenvolveu o dispositivo, o implante foi um sucesso.

Xenotransplantes

O xenotransplante é uma alternativa à doação de órgãos entre seres humanos! Esse processo é a troca de órgãos entre espécies diferentes.  A ideia é boa, mas envolve alguns obstáculos, como por exemplo a transmissão de doenças. Alguns vírus encontrados em animais podem causar doenças graves em humanos.

Mesmo com o risco, em  2017, um estudo publicado pela revista “Science” sobre a técnica de edição genética “Crispr”, (TEMOS UM TEXTO NO BLOG SOBRE, CLICA AQUI PARA LER) descoberta em 2012, permite que o código genético seja editado de forma precisa. Mas e qual a relação disso com o processo de xenotransplante? 

Com esta nova técnica, os cientistas conseguiram inativar um tipo de retrovírus suíno, prevenindo dessa forma a transmissão de doenças no xenotransplante. Conforme os outros estudos de edição genética, os cientistas usaram a fertilização in vitro e manipulam o DNA do ovo fecundado antes que ele se transforme em embrião. Retiraram parte da cadeia genética responsável pela produção de enzimas e proteínas que causam a rejeição em humanos, pois além da transmissão de doenças outro desafio a ser enfrentado é a rejeição genética

“Os órgãos dos porcos existem em todos os tamanhos. Então você será capaz de fazer o transplante até em bebês bem pequenos com um rim de tamanho apropriado. Eu estou otimista de que poderemos ajudar as crianças”, disse Joseph Tector, pesquisador na Universidade do Alabama, em Birmigham (G1, 2018).

Órgãos humanos em outros animais

Há alguns anos atrás os japoneses divulgaram um painel de especialistas para debater as normas que deveriam reger pesquisas para tentar ‘cultivar’ órgãos humanos em corpos de animais antes de fazer um transplante.

Os cientistas pediam que o uso de células-tronco fossem autorizadas para uso em um embrião animal. O objetivo era criar um embrião híbrido (com algumas células humanas)  no útero de uma porca e observar o desenvolvimento.

Este ano (2019) no Japão, foi aprovada a realização de um experimento extremamente polêmico: a criação de embriões híbridos de animais e seres humanos e desenvolvê-los até seu nascimento. A experiência, que é proibida em diversos países, será liderada pelo biólogo Hiromitsu Nakauchi, que pesquisa células-tronco na Universidade de Tóquio (Japão) e na Universidade Stanford (EUA).

A experiência será feita com ratos, e a ideia é usar as células humanas para fabricar o pâncreas, e depois acompanhar o desenvolvimento e crescimento dos animais por dois anos. As funções vitais serão monitoradas para  que os cientistas possam determinar se animais com órgãos de outras espécies são capazes de ter uma vida saudável. 
A equipe de Nakauchi vai se concentrar no pâncreas, porém, se detectarem que mais de 30% das células cerebrais dos roedores forem humanas, irão suspender os experimentos. Essa é uma das exigências do governo japonês para evitar a concepção de “animais humanizados”. Isso se deve ao fato de que as células tronco, durante o desenvolvimento do embrião, podem migrar e ao passar pelo processo de diferenciação celular  e gerar células nervosas. 

Já pensou?! Você, um médico do futuro, realizando um xenotransplante? Ou o implante de um órgão gerado por uma impressora 3D? A gente fica na torcida para que esses estudos tenham ótimos resultados e mais vidas sejam salvas! 

Fonte: 

https://hypescience.com/hibridos-de-humanos-e-animais-nascerao-no-japao-em-experimento-inovador/

https://g1.globo.com/bemestar/noticia/coracao-artificial-e-xenotransplantes-as-alternativas-para-o-transplante.ghtml

https://j.pucsp.br/noticia/pesquisa-propoe-alternativa-transplantes-de-orgaos-e-tecidos

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