Parece história de filme de terror! Porém as bactérias comedoras estão mais perto da realidade que imaginamos!

Essas bactérias causam  graves infecções na pele e músculos. Apesar de levar o nome de bactérias, estudos confirmaram que na verdade, esse tipo de infecção não se dá apenas por um tipo de bactéria, mas por um conjunto de bactériasdiferentes.

Por exemplo, a Streptococcus pyogenes. Uma mutação no genoma desse micro-organismo pode fazer com que ele cause uma condição conhecida como fascíite necrosante. As bactérias atacam as células dos tecidos e secretam um superantígeno, que estimula a resposta imunológica, o que provoca muita inflamação na região. 

A fasciíte necrosante atinge rapidamente o tecido subcutâneo e a fáscia superficial (tecido que separa músculos da pele), provocando a destruição progressiva dos músculos. De maneira extremamente agressiva, essas bactérias vão necrosando a região afetada, isto é, matam as células dos tecidos atingidos.

Muitas pessoas morrem em decorrência da fasciíte necrosante, uma vez que ela pode resultar na falência múltipla dos órgãos. Estima-se que a mortalidade relacionada à infecção varie entre  13% e 76% dos casos, e essa variação está diretamente ligada à demora no início do tratamento.

Como ocorre a doença?

Essas infecções dependem de diversos fatores, como o sistema imunológico do paciente. Em pacientes com imunidade baixa, um desses microorganismos podem invadir o corpo (por isso ela é mais comum em hospitais, onde os pacientes estão mais predispostos às infecções).

As bactérias têm maior proliferação em hospitais.

Em geral, a fasciíte necrosante é provocada por pequenos traumas, por exemplo: cortes pequenos e machucados. Entretanto, em cerca de 20% dos casos, nenhum trauma é identificado. O começo da lesão caracteriza-se pelo inchaço local e pelo avermelhamento da pele. A dor também é um ponto importante, pois é muito maior que em comparação ao tamanho do ferimento.

Com o avanço da infecção, o local torna-se azulado e surgem bolhas com conteúdo amarelado ou avermelhado. Há o surgimento de uma borda avermelhada, e a área se torna coberta por tecido necrótico (morto). Inicialmente, a pele e os músculos não são afetados, entretanto, com o  avanço da lesão essas bactérias precisam de nutrientes para se duplicar. Elas buscam se alimentar das células de pele e músculo, levando à necrose.

O tratamento

O tratamento se baseia na aplicação de antibióticos e em cirurgias, que removem o tecido necrosado. Muitas vezes ocorrem as amputações, e frequentemente, é recomendado o enxerto de pele após esse procedimento. Para a total recuperação dessa doença, é essencial cuidar da saúde do paciente como um todo, dando atenção, por exemplo, à sua alimentação. Pessoas acima dos 65 anos, com traumas e/ou lesões na pele, que fazem o uso de drogas e álcool, com doenças crônicas, como diabetes e obesidade têm maiores chances de sofrerem com a infecção.

A descoberta da doença

As chamadas doenças ‘polimicrobianas’ causadas por parasitas, bactérias, vírus ou fungos, estão no radar de patologistas há anos. Mas até recentemente, a fasciíte necrosante era considerada um trabalho de um único tipo (cepa) de bactéria.

Isso acabou não sendo o caso. Vários anos atrás, um paciente foi diagnosticado com uma infecção composta por duas cepas atuando em conjunto.  

O que são cepas? 

Por definição, em biologia, cepa se refere a um grupo de descendentes com um ancestral comum que compartilham semelhanças morfológicas ou fisiológicas. Quando uma espécie sofre mutações significativas ou conforme novas gerações se adaptam a novas condições ambientais, os descendentes podem ter originado  uma nova cepa. No caso da infecção, significa que duas cepas de bactérias de mesma origem genética estavam operando como uma só na infecção.

A pesquisa

Para descobrir como as bactérias estavam fazendo isso, os pesquisadores infectaram camundongos com cepas mutantes da bactéria Aeromonas hydrophila.Com isso descobriram que elas estavam realmente se unindo no processo infeccioso.

“Uma das linhagens produz uma toxina que decompõe o tecido muscular e permite que a outra linhagem migre para o sistema sanguíneo e infecte os órgãos”, diz a bacteriologista Rita Colwell, da Universidade de Maryland.

Qualquer uma de várias bactérias pode ser responsável por esta doença horrível. Streptococcus pyogenes é o tipo mais comum, mas espécies  dos gêneros Staphylococcus , Klebsiella e Aeromonas estão frequentemente envolvidas.

Bactéria na corrente sanguínea.

Foi um caso específico de infecção por A. hydrophila que chamou a atenção de Colwell e seus colegas. A equipe examinou geneticamente os organismos presentes nos tecidos necróticos em um paciente, não sendo encontradas duas linhagens distintas.

A descoberta de como as duas linhagens realizam a infecção se baseia em um trabalho anterior. Em pesquisas com amostras de microrganismos isolados, os cientistas descobriram que nenhuma das cepas poderia causar uma infecção desse porte por conta própria. Mas combinadas, suas características individuais as tornam perigosas.

A intervenção rápida através de doses intensas de antibióticos e a remoção do tecido morto é essencial para o paciente sobreviver. Porém só funciona se todos se todos os aspectos da infecção forem eliminados com o tratamento. Mesmo assim, a sobrevivência é em cerca de 66% , e os pacientes geralmente ficam com deformidades graves.

Fonte:

http://rmmg.org/artigo/detalhes/523

https://www.sciencealert.com/mouse-study-confirms-flesh-eating-infections-can-be-caused-by-bacteria-working-in-teams

https://www.medicinenet.com/necrotizing_fasciitis/article.htm

https://www.infoescola.com/biologia/cepa/

https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/entenda-o-que-e-e-como-atua-a-bacteria-que-come-carne,fb4c00beca2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

https://brasilescola.uol.com.br/doencas/fasciite-necrosante-doenca-bacteria-comedora-carne.htm

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