Desde encontrar os alicerces da vida em Marte até os avanços na edição de genes e o surgimento da inteligência artificial, apresento a vocês seis grandes descobertas científicas que moldaram os anos 2010!

Estamos sozinhos?

Ainda não sabemos se houve vida em Marte – mas, graças a um pequeno robô de seis rodas, sabemos que o Planeta Vermelho era habitável.

Logo após o pouso, em 6 de agosto de 2012, o rover Curiosity da NASA descobriu seixos arredondados – nova evidência de que rios corriam há bilhões de anos atrás no planeta.

Desde então, descobriu-se que havia de fato muita água em Marte – a superfície estava coberta de fontes termais, lagos e talvez até oceanos.

Vista em perspectiva da cratera de Korolev 1024

Uma cratera no planeta vermelho cheia de gelo. (ESA / DLR / FU Berlim, CC BY-SA 3.0 IGO)

O Curiosity também descobriu o que a NASA chama de blocos de construção da vida, moléculas orgânicas complexas em Marte, em 2014.

Dois novos rovers serão lançados esse ano – o Mars 2020, da América, e o Rosalind Franklin, da Europa, à procura de microrganismos antigos.

Einstein estava certo (de novo)

Lançada em 2009, a missão Kepler ajudou a identificar mais de 2.600 planetas fora do nosso Sistema Solar, também conhecidos como exoplanetas – e os astrônomos acreditam que cada estrela tem um planeta, o que significa que há bilhões por aí.

O sucessor de Kepler, TESS, foi lançado pela NASA em 2018. Também tivemos nosso primeiro vislumbre de um buraco negro ano passado, graças ao trabalho inovador do Event Horizon Telescope.

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(Imagem do Event Horizon Telescope)

Mas um evento da década, sem dúvida, superou os outros: a detecção, pela primeira vez em 2015, de ondas gravitacionais, ondulações no tecido do universo.

A colisão de dois buracos negros 1,3 bilhão de anos atrás foi tão poderosa que espalhou ondas por todo o cosmos que dobram o espaço e viajam à velocidade da luz. 

O fenômeno havia sido previsto por Albert Einstein em sua teoria da relatividade, e aqui está a prova de que ele estava certo o tempo todo.

Três americanos ganharam o prêmio Nobel de Física em 2017 por seu trabalho no projeto, e houve muito mais ondas gravitacionais detectadas desde então.

Enquanto isso, os cosmólogos continuam a debater a origem e a composição do universo. A matéria escura invisível que compõe sua grande maioria continua sendo um dos maiores quebra-cabeças para resolver.

Bem-vindo à era CRISPR

O campo da biomedicina agora pode ser dividido em duas épocas: antes e depois do CRISPR -Cas9 (ou CRISPR para abreviar), a base para uma tecnologia de edição de genes.

Porém, a técnica também está longe de ser perfeita e pode criar mutações indesejadas.

Especialistas acreditam que isso possa ter acontecido com gêmeos chineses nascidos em 2018 como resultado de edições realizadas por um pesquisador que foi amplamente criticado por ignorar normas científicas e éticas.

Se quiser saber mais sobre o CRISPR clique AQUI!

Imunoterapia em primeiro plano

A imunoterapia ou alavancagem do sistema imunológico do corpo tem objetivo de atingir células tumorais .

Uma das técnicas mais avançadas é conhecida como terapia com células T CAR,  as células T de um paciente – do seu sistema imunológico – são coletadas do sangue, modificadas e recolocadas  no corpo.

Além da imunoterapia, uma onda de medicamentos chegou ao mercado desde meados de 2010. Os novos medicamentos são utilizados para o tratamento dos mais diversos tipos de  câncer, incluindo melanomas, linfomas, leucemias e câncer de pulmão. Essas novidades anunciam o que alguns oncologistas esperam que possa ser uma era de ouro.

Novos parentes

A década começou com uma nova adição importante à árvore genealógica humana: os denisovanos, em homenagem à caverna Denisova, nas montanhas Altai da Sibéria.

Os cientistas sequenciaram o DNA do osso do dedo de um jovem em Denisova em 2010, descobrindo que ele era distinto dos humanos geneticamente modernos e dos neandertais, nossos primos antigos mais famosos que viveram ao nosso lado até cerca de 40.000 anos atrás .

Pensa-se que a misteriosa espécie tenha habitado na Sibéria à Indonésia, mas os únicos restos foram encontrados na região de Altai e no Tibete.

Em seguida, veio o Homo naledi , cujos restos foram descobertos na África do Sul em 2015, enquanto este ano os paleontólogos classificaram mais uma espécie encontrada nas Filipinas: chamado Homo luzonensis.

Os avanços nos testes de DNA levaram a uma revolução em nossa capacidade de sequenciar material genético com dezenas de milhares de anos, ajudando a desvendar migrações antigas, como a dos pastores da Idade do Bronze.

Uma nova e empolgante técnica para a próxima década é a paleoproteômica, que permite aos cientistas analisar ossos com milhões de anos e comparar as proteínas das diversas espécies.

Crânio "Neo" do Homo naledi da Câmara Lesedi.  (John Hawks / Universidade de Witwatersrand)

Crânio “Neo” do Homo naledi da Câmara Lesedi. (John Hawks / Universidade de Witwatersrand)

Inteligência Artificial evolui

O aprendizado de máquina – o que geralmente queremos dizer quando falamos de “inteligência artificial” – surgiu nos anos 2010.

Usando estatísticas para identificar padrões em vastos conjuntos de dados, o aprendizado de máquina hoje oferece tudo, desde assistentes de voz a recomendações no Netflix e no Facebook.

A chamada “aprendizagem profunda” leva esse processo ainda mais longe e começa a imitar parte da complexidade do cérebro humano.

Em 2016, por exemplo, o Google Translate – lançado uma década antes – se transformou de um serviço que apresentava resultados que eram absurdos às vezes, para um que oferecia traduções muito mais naturais e precisas.

“Certamente a maior inovação nos anos 2010 foi o aprendizado profundo – a descoberta de que redes neurais artificiais poderiam ser escalonadas para muitas tarefas do mundo real”, disse Henry Kautz, professor de ciência da computação da Universidade de Rochester.

Para Max Jaderberg, cientista pesquisador da DeepMind, de propriedade da empresa-mãe do Google, Alphabet, o próximo grande salto ocorrerá através de “algoritmos que podem aprender a descobrir informações, adaptar-se rapidamente, internalizar e agir sobre esse novo conhecimento”, em vez de depender em humanos para alimentá-los com os dados corretos.

A década de 2010 foi incrível para a ciência! Você concorda? Se lembra de mais uma notícia incrível assim? Conta pra gente!

Traduzido/adaptado: https://www.sciencealert.com/here-s-what-science-has-learned-this-decade

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