A cada dia, a Biotecnologia torna-se mais presente na fabricação de vacinas. Cientistas vêm desenvolvendo antivírus transgênicos que prometem prevenir e tratar diferentes doenças com praticidade e eficiência. De acordo com Carlos Borroto, diretor do Centro Cubano de Biotecnologia e Engenharia Genética, o uso de ferramentas biotecnológicas no desenvolvimento de vacinas reduz os custos de produção e facilita o processo.

Venha com a gente conhecer mais sobre essa tecnologia!

O que são as vacinas transgênicas?

Atualmente, ainda muitas pessoas não têm acesso às vacinas mais importantes contra difteria, tuberculose, tétano e pólio. Morrem milhares de pessoas por causa de enfermidades, pela falta de vacinas, medicamentos, vermífugos e saneamento básico, além da falta de comida. Somente no ano passado (2018), 20 milhões de crianças em todo o mundo não foram vacinadas contra doenças como o sarampo, a difteria e o tétano (dados da ONU). Esse número equivale a mais de uma a cada 10 crianças em todo o planeta.  

Em 1990, Charles Arntzen teve uma ideia inovadora para resolver estes problemas de baixa imunização, de uma maneira muito barata e eficaz: criar alimentos geneticamente modificados, capazes de produzir vacinas. Hoje, cerca de 20 anos depois, temos o desenvolvimento das vacinas transgênicas e comestíveis saindo do papel! 

O mercado biofarmacêutico vem mostrando um crescimento contínuo. A indústria farmacêutica  vêm utilizando e testando novas e diferentes plataformas tecnológicas. A produção de fármacos em sistemas agrícolas tem sido uma das grandes promessas da engenharia genética com as Plantas Produtoras de Fármacos (PPF).

Plantas Produtoras de Fármacos (PPF)

As PPF são produzidas utilizando a engenharia genética. O objetivo é que essas plantas produzam proteínas  que são extraídas e purificadas após a colheita.. As PPF são meios mais baratos e disponíveis que fármacos, e dentro delas, podemos incluir vacinas para doenças infecciosas e as proteínas terapêuticas que visam os tratamentos de câncer e de doenças do coração.

Podemos citar os seguintes exemplos:

  • Anticorpos fabricados por tabacos geneticamente modificados (Organismos Geneticamente Modificados- OGMs), capazes de auxiliar no tratamento de Câncer e Hepatite; 
  • Tomates, transgênicos e comestíveis, contra a Peste Negra e Bubônica, comestíveis; 
  • Bactérias geneticamente modificadas habilitadas para induzir uma boa resposta imune contra o Tétano e o Antrax.

A indústria foca no uso de microrganismos (bactérias e leveduras) e de células de mamíferos (células de ratos), de insetos e de animais transgênicos (menos utilizados). Todas essas opções têm limitações, seja na incapacidade de produzir proteínas complexas, seja no alto custo inicial e/ou operacional, e também o tempo que levará para o desenvolvimento do produto desejado.

No caso das doenças infecciosas o uso desta nova tecnologia busca aumentar o número de pessoas imunizadas, pois, a vacinação é considerada um dos mais eficazes métodos na prevenção das doenças.

VOCÊ SABIA?

Desde 1995, o Instituto Butantan, produz em escala industrial uma vacina transgênica contra a Hepatite B.

Vacinas comestíveis

São vacinas produzidas à partir de vegetais, como o milho, o arroz, o coco e o tabaco. Em 2000, William Langridge desenvolveu tomates e batatas com vacinas para as três principais causas da diarréia. Foram obtidos resultados excelentes utilizando essas plantas para alimentar os animais. Os animais tiveram respostas positivas de imunidade sistêmica e não contraíram a doença quando expostas aos agentes patológicos.

Doenças como Hepatite B, Cólera e Desinteria, AIDs, Tuberculose, Raiva e Diabetes poderão ser combatidas por meio da ingestão de alimentos geneticamente modificados, como frutas e legumes. A ideia consiste em selecionar o fragmento do DNA do vírus e transferi-lo em laboratório para o alimento que quando ingerido, permite o desenvolvimento de anticorpos específicos contra as enfermidades. 

Um dos obstáculos da produção das vacinas comestíveis é a escolha da planta ideal, pois cada uma apresenta vantagens e desvantagens. Algumas plantas são produzidas sazonalmente, por exemplo. Outro desafio é a aceitação da população, que muitas vezes acreditam que os alimentos geneticamente modificados são perigosos para a saúde.

Porém, de acordo com o pesquisador da EMBRAPA, Elibio Rech, a instituição está no caminho para o desenvolvimento dessas vacinas. A EMBRAPA conta com um  laboratório-estufa com cerca de 600 plantas com anticorpos anticâncer, hormônios do crescimento e moléculas anti-HIV inseridos em seu DNA, somente para o desenvolvimento das vacinas comestíveis. 

Vantagens

  • não precisam ser refrigeradas;
  • não é necessária a utilização de seringas e, 
  • quando ingeridas encontram-se protegidas do suco gástrico (pelas paredes vegetais), sendo liberadas gradativamente já no intestino delgado. 

Com o maior desenvolvimento destas vacinas, grandes avanços acontecerão, tanto para a saúde humana, como para a animal.

É importante frisar que atualmente já contamos com várias vacinas transgênicas. O desafio a seguir é desenvolver  novos estudos para abranger um maior número de doenças e buscar o desenvolvimento das vacinas comestíveis. .

Fonte:

https://www.scielosp.org/article/csc/2011.v16n7/3339-3347/

https://www.webartigos.com/artigos/vacinas-transgenicas-a-grande-solucao-futura-ao-nosso-alcance/33287

https://cib.org.br/vacinas-transgenicas-cada-vez-mais-presentes/

https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/revistaManguinhosMateriaPdf/RM29pag22a24VacinadoFuturo.pdf

https://falandodedna.wordpress.com/category/vacinas-transgenicas/

http://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2019-07/em-2018-mais-de-20-milhoes-de-criancas-nao-foram-vacinadas-no-mundo



Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of