O elemento químico, Berílio, é assim denominado por ter sido obtido a partir de um mineral conhecido como berilo. O berílio foi descoberto por Vauquelin em 1798, ao analisar amostras de dois minerais, berilo e esmeralda.

O Berílio e a Esmeralda

Ao novo elemento encontrado, Vauquelin deu o nome de glucínio, uma vez que seus sais conhecidos na época tinham um sabor mais doce. Mais tarde, tomou-se berílio como o nome aceito. O abade Haüy chamara a atenção para o fato de o berilo e a esmeralda serem muito semelhantes quanto à estrutura cristalina, dureza e densidade e que portanto era provável que fossem idênticos quimicamente. Vauquelin demonstrou que de fato os dois minerais eram idênticos. Hoje, sabe-se que tanto o berilo como a esmeralda são silicatos duplos de berílio e alumínio, Be3Al2(SiO3)6; a diferença básica entre o berilo e a esmeralda é que esta contém cerca de 2% de Cr, conferindo-lhe uma cor verde. Apesar do trabalho pioneiro de Vauquelin, o Be só foi obtido 30 anos mais tarde, em 1828, por dois pesquisadores, F. Wöhler e A.-A.-B. Bussy, independentemente um do outro, fazendo reagir a quente potássio com cloreto de berílio, BeCl2 . Essa reação é muito violenta!!

Propriedades do Berílio

Na Terra existe um único isótopo natural do Be, no entanto são conhecidos seis isótopos: 46Be 47Be 48Be 49Be 410Be 411Be. Na crosta terrestre, o teor médio de Be é de ~2 ppm. Isto é, cerca de 2 g em cada 1 000 000 g (ou 1 t). O Be é cerca de 3,5 vezes mais denso que o lítio; seu ponto de fusão é cerca de 1 000 °C acima do ponto de fusão do Li. Ao contrário dos metais alcalinos, como Li e K, o Be não reage com a água à temperatura ambiente. É o único dos metais leves que tem ponto de fusão significativamente alto.

Número AtômicoZ = 4
Massa Molar9,01218 g/mol
Ponto de Eebulição~2 970ºC (a 5mmHg)
Ponto de Fusão~(1 278 +/- 5) ºC
Isótopos Naturais49Be (100%)

Utilização do Berílio

Pode ser usinado com precisão para o fabrico de giroscópios e guias inerciais de mísseis e foguetes. O principal uso do Be é na fabricação de ligas de cobre-berílio (bronzes com berílio etc.). Essas ligas de cobre-berílio são empregadas em reatores nucleares, como moderadores e refletores de nêutrons, e no fabrico de ferramentas que não produzem faíscas. Uma mistura de rádio e berílio produz nêutrons, isto é, as partículas alfa (α ou He++) emitidas pelo rádio provocam a desintegração dos núcleos de Be, produzindo nêutrons. Foi desta forma que, em 1932, James Chadwick descobriu os nêutrons, e essa reação foi usada por Enrico Fermi para fabricar o primeiro reator nuclear que deu origem a esse grande problema da humanidade.

Toxicidade do Berílio

O berílio é altamente tóxico: o envenenamento agudo por inspiração de seus sais produz calafrios, febre, tosse dolorosa e acúmulo de fluidos nos pulmões, podendo levar à morte. A inalação de compostos insolúveis pode levar à beriliose, quando os pulmões são lesados (formam-se granulomas). Esta doença é também conhecida como granulomatose pulmonar crônica: seus sintomas às vezes aparecem somente 15 anos após a exposição a certos compostos de Be, como aqueles usados no revestimento interno de lâmpadas fluorescentes. A toxicidade dos compostos de Be(II) deve-se provavelmente a sua capacidade de deslocar o Mg(II) em enzimas que contêm magnésio. Por estas razões, garimpeiros e lapidadores de água-marinha, berilo e esmeralda devem tomar precauções especiais.

No Brasil, nos Estados de Minas Gerais e Bahia, podemos encontrar águas-marinhas, esmeraldas e berilos, todos como silicato duplo de alumínio e berílio, além dos crisoberilos, que são óxidos de alumínio e berílio, Al2BeO4: todos esses minerais são utilizados como pedras semipreciosas ou preciosas. Quase 200 anos de sua descoberta… e o berílio ainda não é produzido no Brasil.

Texto extraído e adaptado do artigo sbq

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