Já imaginou morar em uma casa viva? Nem falo daquelas casas inteligentes, super modernas com controle pela voz. Quando digo viva, quero dizer viva mesmo – crescendo, respirando e até reproduzindo. 

A idéia pode parecer absurda, mas diante de uma crise climática, nós humanos, precisamos pensar radicalmente sobre a maneira como vivemos e construímos nosso ambiente.

A biologia é capaz de feitos extraordinários na engenharia, e a tecnologia atual de construção pode ser tornar os edifícios parte da natureza. Aqui estão cinco maneiras que demonstram que os edifícios do futuro podem se tornar vivos,  organismos respirantes!

1. Edifícios que crescem

Desde as conchas de calcário esmagadas  até a madeira de árvores mortas, já usamos os materiais da natureza para a construção. No entanto, essa variedade  de materiais pode ser ampliada radicalmente. Por exemplo, a revista norte-americana Scientific American, apresentou recentemente o micélio, a rede “raiz” de fungos, como material do futuro. O micélio pode crescer pouco mais de tamanho que lascas de madeira em períodos muito curtos, criando materiais com desempenho estrutural significativo.

Micélio

A instalação Hy-Fi em Nova York, uma torre de 13 metros de altura, foi construída com tijolos de micélio. O maior desafio, no entanto, é projetar uma estrutura em que o micélio seja mantido parcialmente vivo e capaz de crescer e se adaptar. O projeto arquitetônico, liderado por Lynn Rothschild da NASA, investigou essa possibilidade para colônias em outros planetas.

2. Edifícios que se curam

Rachaduras no concreto de um edifício geralmente significam o começo do fim. A água penetrará e eventualmente enferrujará os reforços metálicos que mantêm a estrutura estável. Mas os pesquisadores começaram a experimentar um concreto que pode se curar. Um método promissor, atualmente sendo desenvolvido por um grupo liderado por Henk Jonkers na Universidade de Tecnologia de Delft , é incorporar esporos bacterianos (como sementes de bactérias) na mistura de concreto.

Quando a água entra através de fendas microscópicas, as bactérias são reanimadas. O material literalmente se torna vivo e desencadeia um processo químico, fazendo com que novos cristais de calcita cresçam e “curem” o concreto. O uso dessa técnica pode adicionar décadas ou mais à vida de um edifício de concreto.

3. Edifícios que respiram

Os sistemas de ar-condicionado de prédios comerciais, que vemos no dia-a-dia, circulam o ar para aquecer ou refrescar os ambientes. Obviamente, é sempre uma opção para abrir uma janela para permitir a ventilação natural. Mas e se as próprias paredes pudessem respirar?

O grupo de Hironshi Ishii desenvolveu materiais que podem mudar de forma em resposta à água. Esses materiais consistem em camadas de esporos de bactérias (semelhantes às usadas no concreto de auto-cura) e látex. Quando o material seca, ele se contrai e muda de forma.

Usando esse método, eles demsenvolveram roupas que podem responder à transpiração humana. O grupo está dando os primeiros passos para investigar a extensão desse método para criar membranas inteiras do edifício que podem “suar” à medida que a umidade interna aumenta. Usando membranas de látex revestidas com esporos de bactérias, o material flexiona e abre os poros – como as glândulas sudoríparas – permitindo que o ar flua através das paredes, por exemplo, quando o vapor se acumula no chuveiro ou na chaleira.

4. Edifícios com sistema imunológico

Estamos cercados por trilhões de microorganismos em todas as superfícies de nossas casas, nossos corpos e no ar ao nosso redor. Enquanto gastamos milhões de reais por ano em produtos de limpeza anti-microbianos, para matar grande parte desse complexo ecossistema, já se sabe há algum tempo que aqueles que vivem perto de fazendas podem sofrer menos de alergias do que aqueles em ambientes urbanos. Parece que ser exposto a bactérias “boas” ajuda a construir o sistema imunológico em crianças.

Em um interessante projeto piloto, pesquisadores da University College London, começaram a investigar como as superfícies de cozinhas, por exemplo, podem ser bio-receptivas, promovendo o crescimento de bactérias conhecidas por oferecer resistência a insetos causadores de doenças. Com isso, as bactérias reduziriam a quantidade de insetos que possam trazer alguma doença.

5. Edifícios com estômagos

A maioria dos prédios, e seus moradores, consomem materiais e energia e devolvem resíduos que precisam ser coletados e tratados em escala industrial. Porém, novas pesquisas sugerem que esse desperdício pode realmente se tornar uma fonte de energia para um edifício. 

Uma equipe de pesquisadores de um projeto da União Europeia chamado Living Architecture está trabalhando para desenvolver um novo tipo de célula de combustível microbiana, que absorve lixo doméstico e gera pequenas quantidades de energia, como parte de um projeto mais amplo que explora o poder de processamento de microorganismos  em edifícios.

As células de combustível são integradas em tijolos que se tornariam parte do tecido estrutural do edifício e também seriam seu estômago. Os tijolos absorvem as águas residuais e as bactérias convertem energia química, à medida que os resíduos são decompostos, em energia elétrica. Nesse cenário, seu banheiro pode carregar seu telefone celular.

Por mais emocionante que isso pareça, há uma desvantagem nos prédios vivos : isto é, eles inevitavelmente morrerão. Mas os edifícios comuns já têm um ciclo de vida. Quando eles atingem o fim de sua vida útil, derrubar edifícios é caro e poluente. 

Imagine uma cidade de edifícios que morrem suavemente e retornam à Terra, formando o alimento para os próximos crescerem para mudarem e se adaptarem. Certamente isso é mais emocionante do que uma casa inteligente com uma geladeira que reorganiza automaticamente seus legumes.

Traduzido/Adaptado de: https://singularityhub.com/2019/07/25/five-ways-buildings-of-the-future-will-use-biotech-to-become-living-things/

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