Créditos: Nature Communications
  • A DESCOBERTA DOS VÍRUS

Foram descobertos no Brasil dois novos vírus gigantes e complexos geneticamente, vivendo em condições extremas (salinidade e pH elevados), que se assemelham àquelas que existiam na Terra primitiva, quando surgiram os primeiros seres vivos. Os dois pertencem a um novo gênero, que recebeu o nome de Tupanvirus, em referência ao Deus do trovão na cultura Tupi-guarani.

Mesmo com toda complexidade, jamais encontrada em qualquer outro vírus, os vírus gigantes não causam doenças, e infectam outros microrganismos, como as amebas. Essa descoberta pode alterar a classificação biológica atual em três domínios (Archaea, Bacteria e Eukarya), e acabar com a discussão sobre a classificação dos vírus serem ou não seres vivos.

Os novos vírus gigantes foram encontrados em ambientes aquáticos, conhecidos como ambientes que conservam e/ou imitam as condições da Terra primitiva, e são considerados alguns dos ambientes aquáticos mais extremos na Terra.

Um deles foi encontrado nas lagoas alcalinas e salinas na região de Corumbá (MS), pantanal mato-grossense, pelo pesquisador da Embrapa Ivan Bergier. Posteriormente, outro foi encontrado, muito similar ao primeiro, por um robô da Petrobrás, em sedimentos marinhos coletados a aproximadamente 3 mil metros de profundidade, no Rio de Janeiro, na região da Bacia de Campos.

  • CARACTERÍSTICAS
    Crédito: Nature Communications

Os Tupanvirus possuem genes novos, ainda não conhecidos, mas também possuem genes semelhantes aos que existem nos domínios Archaea, Bacteria e Eukarya. Apresentam moléculas de DNA lineares (o quarto maior genoma viral descrito até então).

Podem codificar até 1.425 tipos de proteínas através de aproximadamente 1,5 milhões de pares de bases presentes em seu material genético. Essa capacidade de síntese proteica, além disso, esse complexo conjunto de genes, garante uma menor dependência das células hospedeiras.

Essas características classificam os Tupanvirus na família Mimiviridae, criada após a descoberta do Mimivirus em 2003. Quando descoberto, o Mimivirus foi considerado como o vírus com maior capsídeo (camada proteica externa que envolve o material genético) já identificado. Eram capazes de realizar replicação, transcrição e tradução do material genético, e que poderiam ser infectados por um outro vírus.

A discussão sobre a classificação dos vírus, como um ser vivo, deve-se ao compartilhamento dessas características com os seres vivos, e volta a ganhar ênfase com a descoberta dos novos vírus gigantes.

Os vírus gigantes podem ser, segundo os pesquisadores, um elo perdido na evolução dos microrganismos, e fundamenta a grande discussão de que os vírus são seres vivos.

Uma das hipóteses defendidas pelos pesquisadores, é a de que os antepassados dos vírus gigantes poderiam ter um estilo de vida mais generalista e poderiam infectar uma grande variedade de hospedeiro, mas, sofreram uma evolução redutora com perda de genes ao longo do tempo.

A outra hipótese defendida é a de que um antepassado mais simples poderia ter adquirido genes ao longo do tempo e se tornou mais engenhoso, podendo infectar uma gama mais ampla de hospedeiros.

A descoberta dos Tupanvirus nos leva um passo adiante na compreensão da história evolutiva, e coloca em discussão novamente um grande dilema científico: vírus são ou não são seres vivos?

Fonte: Nature communications  https://www.nature.com/articles/s41467-018-03168-1

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