Uma homenagem ao Dia Mundial da Água: Segundo a ONU, pelo menos um bilhão de pessoas carece de acesso a um abastecimento de água suficiente, definido como uma fonte que possa fornecer 20 litros por pessoa por dia a uma distância não superior a mil metros. Em muitas regiões as pessoas precisam se deslocar por longas distâncias em busca de quantidade irrisória de água, nem sempre de boa qualidade. A Organização Mundial de Saúde estima que 80% das doenças humana decorrem da falta de acesso à água adequada para o consumo humano.

Onde está a água?

A água salgada prevalece na Terra, cerca de 97,5%, enquanto a água doce representa apenas 2,5% do total.

Do percentual de água doce presente na Terra, 69,5% está congelada nas calotas polares, 29,5% encontra-se no subsolo e menos de 1% está plenamente disponível para o consumo humano.

Dentro deste 1% de água disponível, enfrentamos problemas com a contaminação e principalmente com o desperdício desenfreado no consumo, fatores que deixam claro a responsabilidade de todos em relação aos hábitos que devem ser assumidos para reduzir os danos causados ao pouco de água potável que ainda está disponível.

No Brasil, uma família de classe média, com quatro pessoas, consome cerca de 1 500 L de água por dia. Esse consumo envolve atividades diárias como usar a descarga do banheiro, higiene corporal, lavagem de roupas, lavagem de utensílios de cozinha, cozinhar.

Também ocorre um consumo altíssimo de água para a produção de alimentos, segundo estudos divulgados da revista americana BioScience, são necessários, por exemplo, cerca de 2000 litros de água para cultivar 1kg de soja e 500 litros para produzir 1 kg de batata. Outro exemplo destacado no estudo é a quantidade de água necessária para criar um boi: 100 mil litros, considerando-se o que ele bebe, mais a produção dos seus alimentos.

Agregado ao consumo, a extensão insuficiente da rede de esgoto contribui para a contaminação dos mananciais em áreas urbanizadas. Estima-se que cerca de 45% na população brasileira não possua acesso a tratamento de esgoto, e como consequência muitas doenças causadas por vírus, bactérias, protozoários e verminoses são transmitidas pela água.

Agentes da poluição

O uso de fertilizantes inorgânicos empregados na agricultura são dissolvidos e arrastados pela água das chuvas ou da irrigação, que é levada para o subsolo ou drenada para rios e lagos.

Os produtos sintéticos, os plásticos principalmente, converteram-se em símbolo do consumismo. Como sua decomposição natural é muito lenta, os efeitos ambientais podem durar séculos. Animais aquáticos, como as tartarugas marinhas, podem sufocar com pedaços de sacos plásticos, confundidos com componentes de sua dieta, focas e leões marinhos são estrangulados por anéis de plástico.

No Brasil, os garimpos clandestinos estão envolvidos na degradação ambiental, inclusive pela contaminação de rios com mercúrio. Apesar das tentativas recentes de controlar essa atividade no país, é persistente a presença de mercúrio em rios da região Norte e em rios e lagos do Pantanal Mato-Grossense. Peixes, moluscos e crustáceos incorporam e acumulam o mercúrio, que pode afetar organismos que deles de alimentam, atingindo maior concentração naqueles que ocupam o topo da cadeia alimentar. O mercúrio, que tem alta toxicidade, acumula-se no organismo. Uma de suas consequências para as pessoas são lesões no sistema nervoso.

Grandes quantidades de resíduos orgânicos lançados às águas provocam a excessiva proliferação de microrganismos aeróbios, que provocarão queda na concentração de gás oxigênio na água, o que pode levar a morte outros seres vivos aeróbios (peixes, moluscos, por exemplo). A urbanização desordenada faz com que as margens de represas, rios e córregos sejam ocupadas por bairros sem tratamento de água e esgoto. Esse processo pode acarretar a eutrofização ( ou eutroficação) das águas. A decomposição resulta em compostos inorgânicos que podem ser utilizados por algas que proliferam a ponto de tornar a água turva, dificultando a penetração da luz. Sem receber energia luminosa, as algas plantas aquáticas não fazem fotossíntese e acabam morrendo. A decomposição da biomassa consome gás oxigênio, dissolvido na água, provocando morte de animais aquáticos principalmente peixes.

A deposição de sedimentos em rios, lagos e oceanos, e a poluição térmica decorrente do uso da água em sistemas de arrefecimento (ou resfriamento) em indústrias e usinas termelétricas também são agentes que provocam poluição e a escassez da água potável.

Fontes: Organização das Nações Unidas Brasil, Organização Mundial da Saúde, Revista BioScience, Ministério do meio ambiente.

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