Estudos realizados no Brasil comprovaram que alguns alimentos mal higienizados podem ser veículos de transmissão da doença.

Comer açaí e tomar caldo de cana por exemplo, que são alimentos suscetíveis a contaminação,  não significa que, automaticamente, a pessoa ficará doente, o problema está na higienização dos produtos utilizados.  Testes realizados pelos pesquisadores, e publicados na revista Advances in Food and Nutrition Research, mostraram que o protozoário causador da doença de Chagas é capaz de sobreviver tanto em temperatura ambiente, como a 4°C, temperatura média de uma geladeira, e até a -20°C, no alimento congelado.

A doença de Chagas, também chamada tripanossomíase sul-americana, é causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi, o tripanossomo. Foi o médico sanitarista Carlos Chagas (1878-1934) quem descobriu o parasita causador e descreveu seu ciclo de vida e o modo de transmissão. Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que cerca de 10 milhões de pessoas estão infectadas cronicamente com a doença na América Latina e há 200.000 novos casos por ano.

Recentemente, no Brasil, foram registrados casos de contaminação com Trypanosoma cruzi através da ingestão da polpa do açaí. Mas especialistas alertam, que essa contaminação pode acontecer com qualquer outro alimento, principalmente frutas, caules, folhas. Em Santa Catarina, há mais de 10 anos, teve casos em que a doença de Chagas surgiu a partir do consumo do caldo de cana. Em Curitiba e no Sul há pouca incidência da doença, mas o Paraná teve, em anos anteriores, muita transmissão, principalmente no Norte Pioneiro. Mas com a eliminação do barbeiro a doença teve sua incidência reduzida, e alguns estados brasileiros foram declarados livres da doença. Em todo o Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, surgem entre 100 a 150 novos casos da doença todos os anos, com prevalência na região Norte do país. Mas o alerta cabe a todo o país, principalmente durante o verão e a primavera.

O tripanossomo é transmitido por insetos triatomíneos hematófagos popularmente chamados de barbeiro ou chupança, sendo a espécie denominada Triatoma infestans. A doença pode ser transmitida pelo contato das mucosas (dos olhos, do nariz e da boca) ou de feridas na pele com fezes do inseto portador do parasita. Mulheres portadoras da doença podem transmitir o parasita aos filhos durante a gravidez ou na amamentação. Transplantes de órgãos e transfusões de sangue de doadores infectados são outras vias de transmissão da doença de Chagas. Mas a doença pode ocorrer pela ingestão de alimentos contaminados com fezes do barbeiro infestada com parasitas em seu intestino.

Barbeiro ou chupança

doença de chagas - barbeiro
scienceline.org

O barbeiro adquire tripanossomos ao sugar sangue de pessoas com doença de Chagas ou de animais contaminados pelo parasita, entre eles cães, gatos, roedores e diversos animais silvestres, que servem de reservatórios naturais do protozoário. Os barbeiros têm hábitos noturnos, e saem de seus esconderijos a noite para se alimentar de sangue. Logo após picar uma pessoa, geralmente o barbeiro defeca, se estiver contaminado, os tripanossomos contidos em suas fezes podem penetrar através do ferimento da picada, ou de uma lesão na pele ou mucosa, quando a pessoa coçar o local. Ao atingir a circulação sanguínea, os tripanossomos têm acesso aos órgãos do corpo.

Nos primeiros estágios da doença, os principais sintomas são cansaço, febre, aumento do fígado ou do baço e inchaço dos linfonodos. Depois de 2 a 4 meses esses sintomas podem desaparecer. Somente 10 a 20 anos após a infecção é que começam a aparecer os sintomas mais graves da doença; os protozoários instalam-se preferencialmente no músculo cardíaco e causam lesões que prejudicam o funcionamento do coração, o que leva a insuficiência cardíaca crônica.

Atualmente existe medicação antiparasitária que deve ser ministrada ao infectado o mais rapidamente após a contaminação com as fezes do barbeiro, ou seja, durante a fase aguda, para evitar o desenvolvimento da doença. No entanto, o tratamento também pode ser feito em casos em que a doença voltou a surgir por enfraquecimento do sistema imune, pessoas com doença crônica em fase inicial, bebês que foram infectados durante a gravidez. Além disso, pessoas com doença de Chagas crônica sem sintomas também podem usar este medicamento para atrasar seu desenvolvimento. Entretanto, as lesões do coração e de outros órgãos, como esôfago e o intestino, são irreversíveis e até o momento não há tratamento eficaz para os estágios avançados da doença de Chagas.

As principais medidas profiláticas para combater essa parasitose são: combater o inseto vetor, ou seja, o barbeiro; evitar regiões com altos índices da doença; usar telas de proteção contra entrada de insetos nas janelas e portas; higienização e fiscalização dos alimentos, incluindo açaí e a cana de açúcar e tratamento dos doentes.

Fonte: Instituto Carlos Chagas http://www.icc.fiocruz.;
Ministério da saúde: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/doenca-de-chagas

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