Quem não se assustou ao acordar na sexta-feira passada e ver na internet as pessoas falando de uma suposta Terceira Guerra Mundial? E talvez uma guerra nuclear?

Apesar da maioria dos analistas de Relações Internacionais descartarem a ideia de uma Guerra Mundial, a tensão entre o Oriente Médio e Estados Unidos se encontra maior que o normal.

O que aconteceu?

Na madrugada de sexta-feira (03/01) os Estados Unidos, direcionado pelo presidente Trump (que inclusive, sofre com um processo de impeachment) ordenou um ataque que culminou na morte do general iraniano e herói de guerra, Qasem Soleimani, em Bagdá.

Essa ação foi considerado como um crime de guerra pelo Irã, que ameaçou um contra-ataque aos Estados Unidos. 

Como resposta, o Irã anunciou nesta terça-feira (07/01) a retomada das atividades de enriquecimento de urânio e uma nova redução dos compromissos assumidos pelo país com a comunidade internacional no tratado de Viena assinado em 2015, à respeito de seu programa nuclear.

Países temem que o desenvolvimento nuclear no Irã culmine em armamento nuclear.
GETTY IMAGES


O país iniciou hoje (09/01) o enriquecimento de urânio na central de Fordo (180 km ao sul de Teerã), que estava inativa desde a entrada em vigor do acordo de Viena. Para as operações, um cilindro de 2 mil quilos de hexafluoreto (UF6) foi levado das instalações de Shahid Alimohammadi para Fordo.

Quarta etapa do plano iraniano

Essa decisão é a quarta fase do plano de redução de compromissos na área nuclear. O presidente iraniano Hassan Rouhani deu um novo prazo de dois meses aos países signatários do acordo de Viena para uma resposta aos pedidos do Irã. Um dos pedidos, seria que Europa apresente alguma forma de compensar as perdas econômicas provocadas pelas sanções econômicas que os Estados Unidos impõem a Teerã. Se isso não acontecer, o país irá reduzir ainda mais os seus compromissos.

O que foi esse acordo de Viena?

Em 2015 em Viena, os chefes da diplomacia do Irã, do grupo 5+1 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) e da União Europeia firmaram um acordo de não enriquecimento de urânio com o Irã.

O objetivo do acordo foi assegurar que o programa nuclear iraniano tivesse um caráter não militar. Em troca, haveria a retirada de todas as sanções internacionais que asfixiavam a economia do Irã. Além disso, o país também foi retirado da lista de países sancionados pela ONU.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores russo, no acordo, o Irã é autorizado a conduzir pesquisa e desenvolvimento com urânio para centrífugas avançadas durante os primeiros 10 anos do acordo, de uma maneira que não acumule urânio enriquecido.

Em 2018, os EUA se retiraram do acordo e reimpuseram sanções. Um ano depois, quando as sanções foram endurecidas, o Irã começou a descumprir seus compromissos.

O que é o enriquecimento de urânio?

Os átomos de urânio têm diversas variantes, que são chamadas de isótopos. Todas elas têm o mesmo número de prótons no núcleo, mas diferentes números de nêutrons.

O urânio encontrado na natureza tem uma concentração de 99,27% da variante chamada U-238 e 0,72% da variante U-235, que é usada como combustível e para produção de armas. O urânio enriquecido é o que tem alta concentração da variante U-235.

O enriquecimento é feito pela adição de gás hexafluoreto de urânio às centrífugas que separam o isótopo U-235.

O urânio com baixa concentração de U-235 (de 3% a 5%) é usado para a produção de combustível de usinas nucleares. Já o urânio com 90% de U-235 pode ser usado para a produção de armas nucleares.

Segundo o acordo de 2015, o Irã só pode enriquecer o urânio até 3,67% de U-235. Também não pode armazenar mais do que 300 quilos do elemento ou ter mais de 5.060 centrífugas.

O Irã também não pode redesenhar seu reator nuclear de água pesada na cidade de Arak — o combustível irradiado de um reator de água pesada contém plutônio, que também pode ser usado para fabricar uma bomba nuclear.

As bombas nucleares

Há dois tipos básicos de bombas nucleares, normalmente chamadas de bombas atômicas. A bomba de fissão e a bomba de fusão (também conhecida como bomba de hidrogênio).

Uma bomba de fissão é um mecanismo que quebra o núcleo de um átomo de forma descontrolada – a forma controlada é um reator nuclear. Para construí-la, é preciso arremessar nêutrons contra um átomo (de urânio ou plutônio). No choque, esses átomos são quebrados, gerando dois átomos de menor massa, radiação gama e dois a três nêutrons. 

Estes átomos e nêutrons resultantes do primeiro choque, colidirão com um átomo (de urânio ou plutônio), gerando mais dois ou três nêutrons e assim por diante. Nesse processo de fissão, o urânio gera outros dois átomos e perde um pouco de massa, que se transforma em energia pela famosa equação de Einstein (E=mc2).

Quando esse processo acontece sucessivamente ocorre a chamada reação em cadeia, que produz cada vez mais energia. É essa energia associada ao calor e ao aquecimento súbito do ar que dá o poder de destruição da bomba.

Na bomba de fusão nuclear, a reação que a aciona é proveniente do núcleo atômico. A fusão significa a união de dois ou mais núcleos, resultando em um novo elemento mais pesado. Quando isso acontece, o novo elemento formado é mais estável, daí a grande liberação de energia.

No caso, dois isótopos de hidrogênio se fundem formam um átomo de hélio. Esta também é conhecida também como bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear. Até hoje ela só foi usada em testes nucleares, um deles foi realizado pela União Soviética em 1961 e ficou conhecida como Tsar Bomba.

Como são produzidas as bombas nucleares?

Para fazer uma bomba, é preciso juntar uma quantidade mínima de U235 de forma que a reação em cadeia se sustente sozinha, a chamada massa crítica (quantidade necessária para manter uma reacção nuclear em cadeia auto-sustentada). No caso do plutônio (Pu239), é produzido em reatores nucleares, pois não existe na natureza.

A quantidade de urânio ou plutônio necessária para uma reação em cadeia depende de diversos fatores, entre eles a forma do material, seu nível de pureza e sua composição. Se colocarmos U235 no formato de uma esfera e ele for enriquecido a mais de 90%, a quantidade necessária será por volta de 15 kg. No caso do Pu239, a massa é de cerca de 5kg. A bomba jogada em Hiroshima , chamada de Little Boy, usava U235; a de Nagasaki, conhecida como Fat Man, Pu239.


A nuvem de cogumelo sobre Hiroshima (esquerda) após a queda da Little Boy e sobre Nagasaki, após o lançamento de Fat Man

Imagem por George R. Caron – Nagasakibomb.jpgAtomic_cloud_over_Hiroshima.jpg, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=12204929


Para começar a liberação dos nêutrons e a reação em cadeia foi usado o explosivo TNT. No caso das bombas de fusão nuclear (também chamadas de bombas de hidrogênio), o material usado são diferentes átomos de hidrogênio, deutério (H2) e trítio (H3), que se unem formando um núcleo de Hélio (H4) e liberando um nêutron e energia.

A reação em cadeia que causa a explosão da bomba acontece quando essas uniões de átomos são sucessivas, também em milissegundos. Seu poder de destruição é ainda maior que as de fissão nuclear. 

A importância dessa discussão

Especialistas da Associação de Controle de Armas, um grupo ativista dos Estados Unidos, afirmaram que a quebra do limite de armazenamento do urânio enriquecido não representa um risco a curto prazo.

O grupo afirma que o Irã precisaria de aproximadamente 1.050 quilos de urânio enriquecido a 3,67% para conseguir fabricar uma bomba nuclear.

Por outro lado, os especialistas alertam que, caso o Irã retome o enriquecimento em níveis mais altos, haveria um corte no chamado tempo de ruptura – o tempo estimado para chegar ao combustível nuclear necessário para fabricar uma bomba.

A situação fica preocupante devido à essa nova “Guerra Fria”, de ameaças entre ambos os lados, sobretudo com o descumprimento do tratado de Viena e a retomada do enriquecimento de urânio no Irã.

Lembrando que os Estados Unidos atualmente é o país que detém o maior número de armamento nuclear no MUNDO.

Enquanto isso, assistimos apreensivos e esperando que essa guerra pelo petróleo não atinja níveis alarmantes.

Fonte:

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2019/11/05/interna_mundo,803859/ira-retoma-atividades-nucleares-que-estavam-congeladas.shtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2020/01/08/internacional/1578440858_600831.html

https://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/como-se-faz-uma-bomba-atomica/n1237741190443.html

https://epoca.globo.com/mundo/o-que-uranio-enriquecido-por-que-ele-esta-no-centro-da-tensao-entre-eua-ira-24174248

https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/bomba-atomica.htm

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-48959003

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War, aaaah! good god, y’all What is it good for? Absolutely nothing! Say it again! Aaaaah, war! Good god, y’all What is it good for? Absolutely nothing! Now listen to this! War! It’s an enemy to all mankind The point of war blows my mind War has caused unrest – – In the younger generation Induction, destruction Who wants to die!? Aaaaah, war-huh Good God, y’all What is it good for? Absolutely nothing! Say it again! Aaaaah, war! Say it, say it, say it What is it good for? Absolutely nothing! Now listen to this! War, has shattered Many a… Read more »