Dessa vez é lúpus!

Os fãs de Dr House entenderam essa?

A série “House” cumpria uma função quase didática: apresentar ao público novas doenças, seus sintomas e formas de tratamento. “It’s not lupus” e “It’s never lupus” são dois dos bordões mais populares criados por House. Foram inúmeros os episódios nos quais, diante de mais uma doença, ele arriscava o diagnóstico: “é lúpus” – e não era hahaha.

Nas últimas seis décadas, apenas um medicamento para lúpus foi aprovado pela “Food and Drug Association” dos Estados Unidos e ainda está indisponível para muitos. Agora, um ensaio clínico internacional de três anos oferece a primeira esperança real para pacientes.

A doença

Lúpus é uma doença inflamatória autoimune, ou seja, o sistema imunológico da pessoa ataca tecidos saudáveis do próprio corpo, por engano. Ela que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro.

Em casos mais graves, se não tratada adequadamente, pode matar. O nome científico da doença é “Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)”. O lúpus afeta cerca de 5 milhões de pessoas em todo o mundo, e ainda assim não tem causa ou cura conhecida.

Hoje, a maioria dos tratamentos vem com muitos efeitos colaterais adversos e, dado o quão pouco sabemos, encontrar novos caminhos para a medicina se mostrou extremamente difícil.

O novo estudo

O estudo, que está na terceira fase, chamado TULIP-2, testou o medicamento anifrolumabe em uma seleção aleatória de 180 pessoas com lúpus, fornecendo 300 mg a cada quatro semanas por 48 semanas.

Comparados ao placebo, que foi administrado a mais 182 participantes que também tinham lúpus, os autores afirmam que o anifrolumabe produziu uma redução estatisticamente e clinicamente significativa da doença.

Após 52 semanas, o medicamento não apenas reduziu a atividade auto-imune nos órgãos relevantes de muitos dos pacientes tratados, como também reduziu a taxa de surtos – que incluem febre, articulações dolorosas, fadiga e erupções cutâneas.

Mesmo quando nenhuma infecção por vírus pode ser encontrada, estudos recentes mostram que a grande maioria dos pacientes com lúpus produz em excesso o interferon Tipo 1 , que é uma proteína imune ligada ao desenvolvimento de glóbulos brancos.

Tentativas anteriores de bloquear essa proteína falharam, mas o anifrolumabe bloqueia os receptores dessa proteína e não a própria molécula. Ou seja, ele impede que as células recebem o comando para ativar a resposta imunológica indesejada.

Até agora, três ensaios clínicos no total testaram o anifrolumabe, e os resultados obtidos  favoreceram o medicamento em relação ao placebo. Dada a necessidade desesperada de tratamento, muitos membros da comunidade de pacientes com lúpus estão pedindo aos reguladores que considerem ensaios clínicos que permitam maior flexibilidade na definição do sucesso.

Mais pesquisas são necessárias para que possamos dizer com certeza se os benefícios superam os  efeitos colaterais do anifrolumabe a longo prazo.  Algumas perguntas ainda precisam ser respondidas! Pacientes que tomam o medicamento apresentaram maior risco de bronquite e infecção respiratória superior, é importante compreender se foi uma coincidência ou há relação entre esses quadros e o uso do novo medicamento. Também é importante compreender quais os riscos além de 52 semanas  de tratamento.  

E você, acha que Dr House ficaria feliz com essa novidade?

Fonte:

http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/lupus

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/05/nao-e-lupus-virou-bordao-entre-os-fas-da-serie-house.html

https://www.sciencealert.com/clinical-trial-provides-first-real-hope-of-a-lupus-treatment-in-half-a-century

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juliana zanella
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juliana zanella

Obrigada pela matéria explicada. Sempre é importante relacionar descobertas de medicamentos e procedimentos relacionados ao corpo humano com a física, química e biologia. Isso porque o Enem está cada vez mais cobrando esse tipo de conhecimentos dos candidatos.
Continuem com as postagens. Abraços.

Jaqueline Inácio
Visitante
Jaqueline Inácio

Muito interessante !!! Pra nós que temos essa doença é muito doloroso sempre tomar medicações e saber que só empalia a dor e não tem cura !

Ivens Menezes
Visitante
Ivens Menezes

Verdade! Ela é muito comum em mulheres,porém,aos 11 anos tive a surpresa do seu surgimento em mim!isso faz 10 anos.

Ivens Menezes
Visitante
Ivens Menezes

verdade! Geralmente ela é muito comum em mulheres,porém,aos 11 anos de idade,fui surpreendido com seu diagnóstico,isto faz 10 anos!