Mar de lixo

A ONU declarou, neste ano, a atenção para o problema dos plásticos nos oceanos. Estima-se que uma média de 10 milhões de toneladas de resíduos de plástico vão parar no mar todos os anos.

Ilha do lixo, Oceano Pacífico
Imagem: https://ionline.sapo.pt/622232

Infelizmente, as notícias não são as melhores.

“Ilha de lixo no Oceano Pacífico é 16 vezes maior do que se imaginava”, publicado em março, pela Revista Galileu.

” Autópsia revela 29 quilos de lixo plástico em corpo de baleia encalhada na Espanha”, publicado em abril pelo site do jornal O GLOBO.

“Baleia encontrada morta na Tailândia tinha 80 sacolas plásticas no estômago.”, publicado em junho pelo site Conexão Planeta.

Elas não foram as primeiras. Toda semana novas notícias relacionadas ao lixo, que se acumula cada vez mais nos oceanos, são divulgadas. Todos os seres vivos que vivem e dependem dos oceanos são prejudicados direta ou indiretamente por todos esses resíduos produzidos pelos seres humanos.

E se nada mudar, essas notícias não serão as últimas.

“É uma crise planetária. Estamos acabando com o ecossistema oceânico”, afirmou Lisa Svensson, diretora de oceanos do programa da ONU para o Meio Ambiente em uma entrevista à BBC.

Porque o plástico é um grande vilão?

O plástico é imbatível, em termos de embalagens. Mas quando descartado de forma incorreta, o lixo plástico causa enorme impacto no ecossistema marinho, sem contar que pode causar entupimentos de valas e bueiros, que geram enchentes e desabrigam pessoas, principalmente os moradores de periferias. A poluição visual também é outro malefício causado pelos resíduos plásticos.

Pesquisas demonstram que o plástico, no ambiente marinho, sofre ações do meio (sol, altas temperaturas, diferentes níveis de oxigênio, energia das ondas e presença de fatores abrasivos, como areia, cascalho ou rocha), fragmenta-se e passa a ter aparência de alimento para muitos dos animais marinhos,causando a morte deles e interferindo no ciclo reprodutivo de muitas espécies.

Imagem: BBC

Um estudo de 2016 do Fórum Econômico Mundial e Ellen McArthur Foundation mostrou que só 14% de todo o plástico produzido no mundo é coletado e reciclado, projetando que, até 2050, haverá mais plásticos do que peixes nos oceanos. Se continuarmos consumindo e descartando incorretamente plástico como fazemos hoje, esta projeção pode se tornar realidade.

95% do plástico hoje é desperdiçado após a primeira utilização por descarte inadequado e 8 bilhões de toneladas de plástico são despejadas por ano nos oceanos. “Basicamente o que está acontecendo é que um caminhão de lixo vem sendo despejado por minuto nos nossos oceanos! E não podemos esperar 10 anos para reverter este cenário…”, alerta Gabriela Yamaguchi, diretora de comunicação do WWF-Brasil, uma das organizações organizadoras do evento no Brasil.

Imagem: G1

Anna Marie Cook, uma das cientistas líderes da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, acredita que as estimativas sobre a quantidade de plástico existente no oceano são subestimadas. Isso porque as estimativas são feitas com o uso de redes de arrasto de plástico da superfície do mar. Não são contabilizados os plásticos que afundam, o que faz com que o alcance do
problema do microplástico na cadeia alimentar seja subestimado: “Um pouco mais de metade de todo o plástico afunda, seja no ambiente de sedimentos perto da costa ou no fundo do oceano”, explica Marie Cook.

A produção de plástico vem crescendo de forma alarmante e, segundo a  Ocean Conservancy, nos próximos 10 anos a produção e consumo de plástico no mundo deve duplicar. Isso vem acontecendo pelo baixo custo do plástico e tem uma série de benefícios econômicos, mas precisamos também pensar nos nossos oceanos.

Imagem: BBC

O que podemos fazer?

A reciclagem, a redução ou a substituição por outros materiais e a reutilização, se tornam a principal ferramenta para evitar esses impactos. Os famosos três “erres” – RRR, ou seja, reciclar, reutilizar e reduzir. O Projeto de Lei do Senado n° 92 prevê a retirada gradual de plástico em bandejas, pratos, talheres e copos descartáveis, sugerindo que, no prazo de 10 anos, o plástico seja substituído por materiais biodegradáveis nos itens destinados a alimentos prontos para consumo, e a Sugestão nº 10 propõe a proibição de distribuição de canudos, sacolas plásticas e uso de microplástico
em cosméticos no Brasil.

Cidadãos conscientes e engajados diminuem seu consumo de plástico, com atitudes simples, não usando canudinhos e substituindo sacolas plásticas, por exemplo. Mas governos engajados também são essenciais para a mudança deste quadro.

Fontes:
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2018/03/ilha-de-lixo-no-oceano-pacifico-e-16-vezes-maior-do-que-se-imaginava.html

https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/meio-ambiente/autopsia-revela-29-quilos-de-lixo-plastico-em-corpo-de-baleia-encalhada-na-espanha-22576029#ixzz5MkhSxVIa

http://conexaoplaneta.com.br/blog/baleia-encontrada-morta-na-tailandia-tinha-80-sacolas-plasticas-no-estomago/

https://www.bbc.com/portuguese/geral-42308171

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/686-pros-e-contras-do-plastico-para-o-meio-ambiente.html

https://www.wwf.org.br/informacoes/sala_de_imprensa/?65603/Marcha-pelos-Oceanos-e-realizada-pela-primeira-vez-no-Brasil

https://oceanconservancy.org/trash-free-seas/plastics-in-the-ocean/

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