Um novo tratamento contra o autismo está sendo testado e promete resultados surpreendentes. É possível amenizar os sintomas em crianças autistas utilizando um medicamento genérico acessível, demonstra o estudo. O medicamento, o Bumetanida, é amplamente usado no tratamento da pressão alta e em inchaços, e não custa mais do que $13 dólares (cerca de R$55) pelo suprimento de um mês de comprimidos.

Antes de falarmos sobre o novo tratamento, vamos conhecer melhor o que é a síndrome.

O que é o autismo?

De acordo com o Doutor Drauzio Varella, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diversas condições marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico. Em geral possuem três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente. Essas características são: dificuldade de comunicação por problemas no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

O autismo é diagnosticado principalmente na infância.

A síndrome  também é chamada de Desordens do Espectro Autista (DEA ou ASD em inglês), recebe o nome de espectro (spectrum), por causa de suas apresentações muito diferentes umas das outras, indo da mais leve à mais grave. Todas estão relacionadas, com as dificuldades de comunicação e relacionamento social.

Diagnóstico 

O autismo é mais comum em meninos do que meninas. De acordo com o Senado, estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo tenham autismo, sendo 2 milhões delas no Brasil. Porém, até hoje nenhum levantamento foi realizado no país para identificar essa população.

O autismo pode ser diagnosticado logo aos dois anos de idade ou mesmo aos 18 meses. Crianças com autismo moderado ou grave podem encontrar situações sociais difíceis. Eles não conseguem fazer contato visual com os pais ou participar de brincadeiras cooperativas e conversas.

Também podem mostrar comportamento repetitivo e ter um interesse intenso em objetos. Esse comportamento não afeta apenas o envolvimento nas atividades da família, mas também pode dificultar  o estabelecimento de relações de amizade na escola.

Novo tratamento contra o autismo

Testes anteriores em camundongos demonstraram que a Bumetanida alterava importantes substâncias químicas do cérebro com autismo. Isso demonstrou que a droga poderia ter efeitos benéficos no tratamento contra a síndrome.

Um grupo de pesquisadores, em uma colaboração internacional com várias instituições na China e na Universidade de Cambridge, buscaram se concentrar em crianças pequenas com autismo moderado e grave e testar se a Bumetanida poderia melhorar seus sintomas.

Haviam 81 crianças com autismo moderado a grave no estudo. Sendo que 42 receberam  o tratamento com Bumetanida, com uma dose 0,5 mg duas vezes ao dia por três meses; e 39 crianças no grupo controle, que não receberam tratamento. As crianças tinham três a seis anos de idade.

Algumas crianças tiveram seus cérebros digitalizados por espectroscopia de ressonância magnética (MRS) . Sendo 38 no grupo bumetanida e 17 no grupo controle.

A MRS é uma maneira não invasiva de medir produtos químicos no cérebro. No estudo, foram medidas as substâncias químicas cerebrais chamadas GABA e glutamato. Que são importantes para o aprendizado e na capacidade do cérebro de mudar e se adaptar.

No grupo Bumetanida, os sintomas do autismo melhoraram conforme medido pela escala de classificação do autismo infantil (CARS). Analisando especificamente o que melhorou na escala de classificação, os pesquisadores perceberam reduções no comportamento repetitivo e menor interesse em objetos. 

Vantagens do tratamento

Uma das mães, de um menino de quatro anos, que vive em uma área rural nos arredores de Xangai, disse que seu filho, que fazia parte do grupo da Bumetanida, se tornou melhor em fazer contato visual com familiares e parentes e pôde participar em mais atividades familiares.

Um outro ponto positivo do medicamento, é a falta de efeitos colaterais significativos. A Bumetanida pode melhorar a qualidade de vida e o bem-estar de crianças autistas.

Crianças que receberam o tratamento tiveram uma grande melhora nos sintomas. (Kinzie Riehm/Getty Images)

A maioria dos tratamentos existentes são terapias comportamentais, incluindo Análise de Comportamento Aplicada ou ABA. A maioria das famílias, principalmente aquelas nas áreas rurais, têm acesso limitado ou inexistente à esses tratamentos, geralmente disponíveis apenas em centros especializados. O uso de Bumetanida significaria que haveria um tratamento para crianças autistas que não conseguem ter acesso ao tratamento mais comum por algum motivo.

Agora são necessárias mais pesquisas para confirmar a eficácia da Bumetanida no tratamento do autismo.

Dicas de como lidar com pessoas com autismo

  • Todas as pessoas envolvidas com alguém que possui autismo, precisam de atendimento e orientação especializados;

  • É necessário descobrir um meio ou técnica, não importam quais, que possibilitem estabelecer algum tipo de comunicação com o autista;

  • Autistas têm dificuldade de lidar com mudanças, por menores que sejam; por isso é importante manter o seu mundo organizado e dentro da rotina;

  • Apesar de a tendência atual ser a inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares, as limitações que o transtorno provoca devem ser respeitadas. Há casos em que o melhor é procurar uma instituição que ofereça atendimento mais individualizado;
  • Autistas de bom rendimento podem apresentar desempenho em determinadas áreas do conhecimento com características de genialidade.

Fontes:

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/04/23/censos-demograficos-terao-dados-sobre-autismo

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/transtorno-do-espectro-autista-tea/

http://www.usp.br/espacoaberto/?materia=um-retrato-do-autismo-no-brasil

https://www.sciencealert.com/a-cheap-diuretic-pill-shows-promising-results-in-helping-autistic-children

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