Mesmo antes do asteroide Chicxulub atingir a Terra, 66 milhões de anos atrás, dinossauros e outras formas de vida estavam lidando com níveis tóxicos de mercúrio, sugere um novo estudo. É possível que o mercúrio tenha ajudado a matar os dinossauros!

As novas evidências reavivam o debate sobre como os dinossauros.. Enquanto alguns cientistas atribuem sua morte apenas ao asteróide que atingiu nosso planeta, outros afirmam que há mais na história.

Como estava o planeta há 66 milhões de anos atrás?

66 milhões de anos atrás o planeta passava por mudanças importantes! Dezenas de milhares de anos antes do impacto do asteróide a atividade vulcânica estava alta! Erupções vulcânicas violentas aconteciam, e acredita-se que toda a lava pode ter contribuído no impacto do evento cataclísmico que acabou com três quartos de toda a vida na Terra.

Examinando antigos bivalves fossilizados – animais com o corpo protegido por uma concha que tem duas valvas (como uma ostra, por exemplo) – os cientistas conseguiram observar o aumento  nas concentrações de mercúrio e dióxido de carbono nos organismos e no ambiente.

Essas erupções duraram quase um milhão de anos e formaram grande parte do oeste da Índia durante o período Cretáceo-Paleogene. Foi este o contexto da extinção em massa de 65,5 milhões de anos atrás, que marca o fim do período Cretáceo e o início do Paleógeno.

O mercúrio

O mercúrio é um elemento químico tóxico, e as erupções vulcânicas são o maior produtor dele aqui na Terra. Quando esse elemento chega ao oceano, ele se torna altamente reativo à matéria orgânica e é facilmente absorvido pelo fitoplâncton, que os moluscos (aqueles organismos com conchas que citei lá em cima) comem.

Usando suas conchas dos moluscos como um indicador da qualidade e temperatura da água, os cientistas agora acreditam  que as erupções do Deccan Traps tiveram impactos climáticos e ecológicos profundos, duradouros e globais.

“Anomalias de mercúrio foram documentadas em sedimentos, mas nunca em conchas”, diz o  geoquímico Sierra Petersen, da Universidade de Michigan.

O estudo

Os registros obtidos através dos sedimentos, por exemplo, são limitados porque ainda não vincularam as emissões de mercúrio às mudanças climáticas globais. Contudo, o novo estudo foi capaz de fazer exatamente isso.

Coletando conchas fossilizadas da Antártica, Alabama, Alasca, Califórnia, estado de Washington, Argentina, Índia, Egito, Líbia e Suécia, os autores mediram os níveis de dióxido de carbono e mercúrio por vários períodos de tempo. Incluindo o Cretáceo tardio, o Pleistoceno e os dias modernos.

Semelhante aos resultados anteriores, suas descobertas indicam que um evento abrupto de aquecimento ocorreu cerca de 250 mil anos antes dessa extinção em massa. Além disso, isso coincide com um aumento nos níveis de mercúrio entre 68 e 70 milhões de anos atrás, quando a atividade vulcânica era tão intensa que criou um tapete de lava com quase 100 m de espessura.

Os autores dizem que isso é “altamente sugestivo de que as  mudanças climáticas foram causadas pela emissão de CO2 vulcânico” e, aliás, esse período coincide com a diminuição  na diversidade de espécies e extinções agrupadas de foraminíferos (grupo de protistas com pseudópodos reticulados).

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Fóssil de ostra extinto de 66 a 72 milhões de anos, Agerostrea ungulata , da região de Fezzan, na Líbia. (Kyle Meyer / Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia)

Ainda é muito cedo para dizer com certeza se esses níveis de mercúrio envenenaram os dinossauros, mas, o estudo é altamente valioso. São necessárias análises adicionais sobre a vida marinha para confirmar os resultados, mas certamente parece que a vida marinha fossilizada pode fornecer insights exclusivos sobre extinções em massa e mudanças climáticas do passado.

Traduzido/adaptado: https://www.sciencealert.com/earth-s-atmosphere-was-polluted-with-mercury-even-before-the-asteroid-that-killed-the-dinosaurs

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