O meteorito de Allende circulou pelo espaço por bilhões de anos e sua “vida” teve fim em 1969 quando se chocou com a superfície da Terra. Por muito tempo pesquisadores do cosmos acreditaram que ele carregava a matéria mais velha do Sistema Solar!

Mas um estudo publicado recentemente na “Nature Astronomy” mostrou que na verdade um outro meteorito, que caiu na Austrália em 1969, é que carrega o material interestelar MAIS VELHO QUE O SISTEMA SOLAR! 

A incrível matéria antiga encontrada, batizada de “grãos pré-solares”, é rara! No artigo publicado os cientistas anunciaram que o meteorito da Austrália apresenta matéria que tem entre 5 e 7 bilhões de anos. 

 E qual a idade do Sistema Solar? 

O Sistema Solar tem mais ou menos 4,6 bilhões de anos, ou seja, os grãos pré-solares realmente são mais velhos do que este sistema que habitamos! 

 Os pesquisadores da Universidade de Washington identificaram que os grãos encontrados são compostos de carboneto de silício (SiC). E estavam em uma região específica do meteorito, que foi batizada de Marie Curiosa, em homenagem à Marie Curie! 

A presença de SiC foi uma surpresa para os cosmos-cientistas! As primeiras observações indicaram que na “Marie Curiosa” era uma inclusão rica em  cálcio-alumínio (CAI). O CAI é uma substância mineral sólida que até então carregava o título de mais antiga do Sistema Solar. 

Qual a origem dos CAIs? 

Os CAIs têm origem na nebulosa solar, que em condições superaquecidas, com concentrações elevadas de gás e poeira deu origem ao Sol e ao Sistema Solar. A temperatura de formação dessa substância se deu em torno de 1227 ºC. Temperatura em que os grãos pré-solares não poderiam existir.  Os autores do artigo da “Nature Astronomy” defendem que os grãos pré-solares se formaram em outras regiões da nebulosa solar. 

Mas como o carboneto de silício foi encontrado? 

Marie curiosa, do meteorito Allende. 
(Sociedade Planetária)

Nos experimentos realizados pelo time de pesquisadores uma amostra da Marie Curiosa foi aquecida. Isso fez com que gases nobres com SiC fossem identificados. Fato que  serviu de alerta para os pesquisadores: entendemos e conhecemos muito pouco sobre a origem do Universo e do que pode ter acontecido na Nebulosa Solar. 

Olga Pradivtseva, cosmoquímca e física, afirma que “Foi uma surpresa o fato de grãos pré-solares estarem presentes.”; e “Levando em consideração nosso conhecimento atual sobre a formação do Sistema Solar, grãos pré-solares não poderiam existir no ambiente em que as inclusões foram formadas.”

Os pesquisadores ainda desconhecem como o SiCs, de outras estrelas muito possivelmente, chegaram até as inclusões. Mas a sua presença é um indicativo de que temos que repensar os aspectos químicos do começo do Sistema Solar. 

Fonte:
https://www.sciencealert.com/interstellar-material-we-didn-t-know-was-possible-identified-in-1969-mexico-meteorite

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