Por Neil Palmer/CIAT – Flickr, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=28394053

Agosto foi estampado com diversas notícias tristes sobre a Amazônia, o mundo inteiro parou para observar com indignação a nossa floresta em chamas devido a exploração de terras para a agropecuária. A hashtag #PrayforAmazonia foi lançada.

O mundo inteiro sofreu com as perdas na maior floresta tropical e maior reserva de biodiversidade da Terra.

Quando falamos sobre preservação ambiental é importante unirmos o desenvolvimento econômico do país com as causas ambientais.

E se você ainda tem dúvidas sobre o que realmente anda acontecendo na Amazônia, no nosso Cerrado e com a nossa natureza, leia esse texto até o final.

Mas, não tem queimadas todos os anos?

Vamos começar com a pergunta que mais escuto no dia-a-dia quando o assunto é as queimadas na Amazônia. 

A resposta é sim. Todos os anos nessa época, entre os meses de julho e setembro acontecem queimadas devido ao tempo seco e quente. Uma grande quantidade de focos de incêndios são detectados pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

As queimadas nessa região geralmente acontecem devido ao modelo de ocupação e uso do solo, com o desmatamento de grandes áreas e consequente queima da vegetação, para preparo da terra para o plantio. A prática é comum na agropecuária nacional, principalmente na região do Cerrado e da Amazônia Legal.

A Amazônia Legal é uma área de 5.217.423 km², que corresponde a 61% do território brasileiro, foi instituído pelo governo brasileiro como forma de planejar e promover o desenvolvimento social e econômico dos estados da região amazônica.

As queimadas são utilizadas em áreas com pastagens visando a renovação ou recuperação da  vegetação utilizada para a alimentação do gado, eliminando ervas daninhas e adicionando nutrientes ao solo, oriundos da biomassa queimada. PORÉM, a longo prazo, essa prática provoca degradação físico-química e biológica do solo, e traz prejuízos ao meio ambiente.

Então, vamos aos números.

Segundo dados do Inpe, o número de focos de incêndio florestal aumentou 83% entre janeiro e agosto de 2019 na comparação com o mesmo período de 2018. De janeiro até o mês de agosto foram contabilizados 74.155 focos, isso significa uma alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com uma análise feita pela equipe do WWF-Brasil com base em séries históricas de imagens de satélite e em dados do Inpe, 31% dos focos de queimadas registrados até agosto deste ano localizavam-se em áreas que eram floresta até julho de 2018.

Isso significa que aproximadamente um em cada três focos de queimadas registrados em 2019 não tiveram relação com a limpeza de pastagens, mas sim com queimadas que sucederam o corte de áreas de floresta, no ciclo tradicional de corte e queima. 

Propriedades particulares concentram os focos de queimadas. Desde janeiro, 60% dos incêndios ocorreram em áreas privadas registradas no Cadastro Ambiental Rural do Brasil, 16% em terras indígenas e 1% em áreas protegidas. 

De quem é a culpa?

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles atribuiu o recorde de queimadas no país à seca, ao vento e ao calor liberado para a atmosfera, através das queimadas. PORÉM, de acordo com o Observatório do Clima, (rede que reúne cerca de 50 organizações não governamentais em prol de ações contra as mudanças climáticas), causas naturais não são suficientes para explicar a quantidade de incêndios neste ano.

No dia 10 de agosto fazendeiros e grileiros no sudoeste do Pará fizera um “dia de fogo” e deliberadamente queimaram  uma área vegetada da região de Novo Progresso. Isso resultou em um aumento de 300% nos focos de incêndio em comparação com o dia anterior, pelos registros do Inpe.

De acordo com o engenheiro florestal Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), “desde meados dos anos 2000, há dezenas de pesquisas acadêmicas mostrando a relação entre preço do boi e da soja e devastação na Amazônia. Entre 2010 e 2012, mesmo com esses produtos em alta, o desmate diminuiu depois de barrar o crédito rural a criminosos ambientais”.

Para especialistas ligados à questão ambiental, o problema é resultado de um misto do cenário político atual, com a extinção de secretarias ligadas ao ambiente e uma baixa fiscalização.

Resultado

De acordo com o  professor do Departamento de Ciências Ambientais do Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Jerônimo Sansevero, seriam necessários, no mínimo 20 anos para recuperar as perdas que tivemos na Amazônia até hoje. No pior (e mais provável) dos cenários, a floresta destruída nunca voltará a ser o que era antes.

“Estamos tendo uma perda irreparável. Nunca tivemos uma perda tão alta nas últimas três décadas”, afirmou o professor.

A Amazônia que está em território brasileiro teve uma perda territorial maior que o território da Alemanha entre 2000 e 2017. São cerca de 400 mil km² a menos de área verde, de acordo com estudo de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oklahoma publicado na revista científica Nature Sustainability.

Todo esse desmatamento representa impactos enormes em todo o planeta. Só no Brasil, o fenômeno que deixou o céu de São Paulo escuro foi um alerta para o problema que estamos enfrentando. Os impactos ambientais do que acontece na Amazônia atingem todas as regiões do país.

As consequências das queimadas são devastadoras, afetando solo, vegetação e os animais no local, além de causar efeitos com alcance global. Com as queimadas há emissão de carbono que reforça os gases do efeito estufa, aumentando possibilidade de mudanças climáticas no mundo.

Além disso, o desmatamento e a exploração madeireira diminuem a quantidade de água que a vegetação libera para a atmosfera (evapotranspiração) e, consequentemente, reduz o volume das chuvas.

Fonte: 

https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/09/17/crime-organizado-e-milicias-estao-ligados-a-desmatamentos-e-queimadas-na-amazonia-diz-human-rights-watch.ghtml

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49683787

https://exame.abril.com.br/brasil/inferno-na-floresta-o-que-sabemos-sobre-os-incendios-na-amazonia/

https://www.wwf.org.br/?72843/amazonia-um-em-tres-queimadas-tem-relacao-com-desmatamento

https://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28768-o-que-e-evapotranspiracao/


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