Quando falamos de modificação de genes, principalmente de embriões sempre vem aquela imagem sensacionalista de crianças geneticamente modificadas, que podem ter um talento único para artes, humanas ou exatas…

Que tem a cor de pele, de olho e de cabelos que os pais desejarem… Algo como um menu mesmo, em que você decide como a criança vai nascer! Até seus gostos musicais e talentos, sua profissão também!

Os filmes e séries de ficção científica estão aí pra isso, pra nos encher de dúvidas sobre se isso realmente é possível.

Mas, não vamos tão longe. A ciência da modificação de genes é TOTALMENTE voltada para a cura de doenças atualmente incuráveis. Inclusive, temos um texto aqui no blog muito interessante sobre o assunto: https://cienciaemacao.com.br/edicao-genetica-uma-possivel-cura-do-cancer/

Ok, a modificação genética para buscar a cura para doenças que existem em pessoas já nascidas. Mas, e em embriões? Será que poderíamos ir tão longe a ponto de modificar o DNA de embriões para que nasçam, cresçam e nunca tenham determinadas doenças?

Já aconteceu, e não é de hoje não!

No ano de 2017 pesquisadores do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, obtiveram sucesso, pela primeira vez na história, na modificação do DNA em embriões humanos, a fim de corrigir genes que causam doenças hereditárias.

A pesquisa foi liderada por Shoukhrat Mitalipov, e utilizou a técnica de edição de genes CRISPR. Mitalipov conseguiu replicá-la em um grande número de embriões, provando que é sim possível alterá-los geneticamente de maneira segura e eficiente.

Ao alterar o código de DNA de embriões humanos de verdade, os cientistas pretendem demonstrar que é possível corrigir genes defeituosos durante o desenvolvimento do embrião, antes que ele se transforme em um feto. Os embriões se desenvolveram por apenas alguns dias, NÃO havia intenção de implantá-los em um útero.

Porém, se o desenvolvimento desse embrião fosse levado adiante, e ele virasse um bebê, que cresceria até a fase adulta, e poderia gerar seus próprios filhos, transmitido hereditariamente os genes modificados. OU SEJA, doenças congênitas que ele poderia carregar em seu DNA, seriam eliminadas de sua linhagem.

As gêmeas imunes ao HIV

O cientista chinês He Jiankui, da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul de Shenzhen na China, anunciou ano passado o nascimento de gêmeas imunes ao HIV. O DNA delas teria sido editado na fase embrionária, onde haviam eliminado um gene chamado CCR5, fazendo com que as crianças nascessem resistentes ao vírus. 

O experimento não foi oficialmente comprovado, e foi condenado pela comunidade científica, inclusive pela China. o governo chinês ordenou a suspensão de todas as pesquisas com edição de genes humanos após a declaração do cientista.Os resultados da pesquisa não foram publicados.

INCERTEZAS

A alteração genética em laboratório de embriões humanos saudáveis, e depois sendo implantados no útero de uma paciente, gerou grandes debates sobre a ética e a legalidade desse procedimento. 

A tecnologia CRISPR que permite que cientistas modifiquem o DNA de um organismo, “recortando e colando” partes do material genético em pontos específicos do genoma, já vinha acontecendo, PORÉM, nunca haviam sido gerados.

De acordo com a Yalda Jamshidi, especialista em genética humana da Universidade de St. George, em Londres, via BBC:

“Nós sabemos ainda muito pouco sobre os efeitos de longo prazo. E a maioria das pessoas concordaria que fazer experimentos deste tipo em humanos, com a finalidade de evitar uma doença tratável, só para aumentar nosso conhecimento sobre o assunto, é moralmente e eticamente inaceitável”.

“Independentemente dos resultados obtidos por ele sobreviverem ou não ao escrutínio da comunidade científica, nós, como sociedade, precisamos pensar seriamente e rapidamente sobre se e quando estamos dispostos a aceitar os riscos que vêm com qualquer nova terapia. Particularmente com aquelas que podem afetar as futuras gerações”, diz ela.

Já o cientista He Jiankui disse que o objetivo de seu trabalho é criar crianças que não sofrerão com doenças, e não produzir bebês “projetados” para ter olhos de determinada cor ou alto quociente de inteligência (QI).

Apesar de todas essas especulações, a modificação genética para a prevenção de doenças está muito próxima de se tornar realidade.

Fonte:

https://canaltech.com.br/saude/pela-primeira-vez-a-ciencia-conseguiu-modificar-dna-de-embrioes-humanos-97958/

https://super.abril.com.br/ciencia/prepare-se-seu-dna-ainda-sera-remixado/

https://www.bayerjovens.com.br/pt/colunas/coluna/?materia=edicao-genetica-de-embrioes-e-as-implicacoes-eticas

https://www.bbc.com/portuguese/geral-46325617

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