Vírus do HIV
Foi publicado no dia 5 de março na Revista Nature, a cura do HIV de mais um paciente. O caso foi apresentado na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), ocorrida nos Estados Unidos dia 03 e 04 de março. É apenas a segunda vez na história em que um paciente fica livre do HIV.

Os dois pacientes considerados curados até agora passaram pelo mesmo processo, um transplante de medula óssea, mas não para o tratamento do HIV, e sim de câncer.
Os especialistas afirmam que rearmar o corpo com células imunes modificadas para resistir ao vírus pode ter sucesso como um tratamento mais frequente. 

  • A descoberta do vírus

A descoberta do vírus do HIV (sigla de Human Immunodeficience Virus – vírus da imunodeficiência humana) aconteceu em abril de 1984, depois da constatação dos primeiros casos da doença.

Segundo a Unaids (Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS):

  • 36,9 milhões [31,1 milhões–43,9 milhões] de pessoas em todo o mundo viviam com HIV em 2017;
  • 21,7 milhões [19,1 milhões–22,6 milhões] de pessoas tiveram acesso à terapia antirretroviral em 2017;
  • 1,8 milhão [1,4 milhão–2,4 milhões] de novas infecções pelo HIV em 2017;
  • 940.000 [670.000–1,3 milhão] de pessoas morreram por causas relacionadas à AIDS em 2017;
  • 77,3 milhões [59,9 milhões–100 milhões] de pessoas foram infectadas pelo HIV desde o início da epidemia;
  • 35,4 milhões [25 milhões–49,9 milhões] de pessoas morreram por causas relacionadas à AIDS desde o início da epidemia.

O HIV é transmitido por meio de fluidos eliminados durante as relações sexuais, contato com sangue de contaminados e através do compartilhamento de materiais cortantes. A transmissão também pode ocorrer de mãe para filho durante a gravidez, no parto ou durante a amamentação.

  • Composição do Vírus

O vírus HIV possui na sua cápsula viral proteínas capazes de se ligar a receptores de determinadas células do sistema imunitário humano, os linfócitos T ou célula CD4.

Depois de se ligar aos receptores da célula CD4, a cápsula do vírus funde-se à membrana celular, liberando o RNA viral, a enzima transcriptase reversa e as integrases virais no citosol da célula CD4.

A enzima transcriptase reversa entra imediatamente em ação e transcreve uma cadeia de DNA a partir do RNA viral (transcrição reversa). Este DNA viral penetra do núcleo e incorpora-se a um dos cromossomos da célula hospedeira (célula CD4).

Uma vez integrado a um cromossomo da célula CD4, o DNA viral começa a produzir moléculas de RNA e em seguida proteínas, utilizando os processos de transcrição e tradução da célula hospedeira.
Por sua vez, RNA, enzimas e proteínas unem-se e formam novos vírus, que serão liberados da célula CD4 e irão infectar novas células sadias.

  • A pesquisa

Inicialmente é necessário um paciente que apresente o vírus HIV e possua um câncer hematológico (câncer do sangue), como um linfoma, por exemplo.

O segundo passo é encontrar um doador de medula óssea que possua uma mutação genética na proteína CCR5, que fica nos receptores para os vírus HIV presentes na superfície das células CD4. Essa mutação impede que o vírus HIV se funda a membrana da célula CD4, impedindo sua multiplicação.

Antes do transplante deve-se destruir todo o sistema imune do paciente com HIV e câncer do sangue, através de quimioterapia ou radioterapia. Para garantir que nenhuma célula do sistema imune, principalmente as células CD4, permaneçam em seu organismo.

Após esse procedimento, a medula óssea do doador com a mutação genética CCR5 é transplantada.

O objetivo é que os vírus que permanecem no organismo do paciente não consigam se ligar as novas células CD4 mutantes, devido a uma falha nos receptores da célula. Evitando assim sua multiplicação.

“Não é fácil, você precisa achar um doador para essa pessoa que seja compatível, e dentro dos compatíveis, deve-se achar um que tenha a mutação que ocorre em menos de 1% da população”, diz Ésper Kallás, infectologista da USP.

  • A cura do HIV

Em 2007 um médico alemão relatou a primeira experiência de cura do HIV em um paciente identificado como Timothy Ray Brown, que atualmente tem 52 anos e vive na Califórnia. 

Quando se foi comprovado a cura do vírus HIV em Brown, os cientistas tentaram por diversas vezes repetir o processo, mas não obtiveram resultado. Nas tentativas, o vírus retornava ainda mais forte, apenas alguns meses após os pacientes descontinuarem o uso dos medicamentos. Por conta dos fracassos, os cientistas consideraram o caso de Brown uma feliz exceção.

Brown teve leucemia e, após a quimioterapia não impedir o avanço da doença, ele foi submetido a dois transplantes de medula óssea. O material veio de um doador com uma mutação na proteína CCR5, que fica na superfície de algumas células do sistema imunológico, impedindo que o HIV consiga se agarrar à essa versão mutante.

Brown chegou a receber medicamentos imunossupressores que não são mais usados e acabou passando por sérias complicações após a cirurgia. Depois de quase morrer e se recuperar totalmente, os médicos constataram que Brown estava curado da infecção pelo HIV.

No caso mais recente, o paciente sofria de linfoma de Hodgkin e também recebeu um transplante de medula óssea de um doador com mutação genética na CCR5, em maio de 2016. Ele também recebeu drogas imunossupressoras, porém, o tratamento foi menos intenso. 

Em 2017, o paciente deixou de tomar remédios contra o HIV, tornando-se o único paciente depois de Brown a permanecer livre do vírus por tanto tempo após cessar o tratamento.

A ciência evoluiu muito em 38 anos de epidemia, mas para portadores do vírus ainda se espera muito mais. Cada novo estudo publicado é um grande passo nessa direção, a direção da cura para aids.

Fonte: https://unaids.org.br/

https://www.nature.com/articles/s41586-019-1027-4

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2019/03/paciente-e-curado-do-hiv-apos-transplante-de-medula-ossea-relatam-cientistas

https://www.bbc.com/portuguese/geral-47462344

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