Estudo publicado ontem (10/03/2020) sugere que a cura do HIV já aconteceu para o segundo paciente. Após transplante de células – tronco o vírus não foi mais detectado no sangue do paciente. Vamos entender como isso foi possível? 

O HIV é um vírus que pode ser transmitido quando há contato com fluídos corporais, como sangue e sêmen. Durante relações sexuais desprotegidas a troca de fluídos entre os parceiros pode resultar na infecção pelo vírus. No caso do sangue o contato com agulhas contaminadas ou transfusões sanguíneas.  No Brasil, entre 2007 e 2019 foram notificados 300 496 casos, só no ano de 2018 foram 43 941 casos detectados. É importante destacar que não temos mais um grupo de risco, mas toda pessoa que é sexualmente ativa tem chances de ter contato com o vírus e desenvolver a doença.

Hoje sabemos que todos corremos o risco de contrair este vírus e desenvolver AIDs, e esta é uma das epidemias globais que mais preocupa a população, médicos e pesquisadores. Em 2018 o Ministério da Saúde, em seus relatórios, divulgou que houve uma redução significativa  nas taxas de mortalidade (16,5%). Além disso, houve também a queda na detecção de novos casos, em 2013 a taxa de incidência era de 21,5 novos casos a cada 100 mil habitantes, em 2018 a taxa passou para 18,3 casos a cada 100 mil habitantes.

Apesar dos avanços já feitos e da eficiência dos tratamentos existentes seguimos na busca da cura. Um estudo publicado na revista científica “The Lancet HIV” mostra que um segundo paciente soropositivo foi curado após transplante de células tronco, num procedimento parecido com o  realizado com “paciente de Berlim” em 2011. 

Qual o mecanismo de ação do vírus? 

O vírus da AIDs, o HIV, não consegue se reproduzir sem estar no interior de uma célula e utilizar suas organelas e enzimas para duplicar seu material genético e estruturas. Portanto o vírus é considerado um parasita intracelular obrigatório.

No corpo humano o vírus do HIV insere seu material genético do tipo RNA em uma célula do sistema imunológico do tipo CD4. Esta célula é utilizada no processo de multiplicação viral e assim há mais cópias disponíveis para infectar mais células do mesmo tipo. 

Durante o processo de infecção as células CD4 acabam morrendo. Porém as razões sobre por que isso acontece ainda são desconhecidas, apesar das tentativas dos pesquisadores. Os medicamentos utilizados atualmente agem no sentido de impedir a replicação viral. Apesar da sua alta eficiência em reduzir a carga viral não promovem a cura.

Qual o tratamento? 

O “paciente de Londres” recebeu um transplante de células tronco (duas sessões)  e um tratamento com quimioterapia com objetivo de tornar o vírus incapaz de se replicar no corpo do paciente. Esse transplante não pode ser realizado à partir de qualquer doador, é necessário encontrar um doador que apresente genes específicos que o façam resistente ao vírus do HIV. 

Este paciente não foi o primeiro a ser curado do vírus, o primeiro caso foi em 2011 e ficou conhecido como “paciente de Berlim”. Ele foi submetido a um tratamento com radiação no corpo inteiro e duas sessões de transplantes de células-tronco de um doador com o gene de resistência contra o vírus HIV. Para finalizar o tratamento passou por quimioterapia. 

O procedimento do “paciente de Londres” foi menos invasivo que o realizado pelo “paciente de Berlim”, já que não envolveu a processo de quimioterapia ao final. Gupta, um dos pesquisadores envolvidos, afirma que o procedimento  é arriscado, com uma taxa de mortalidade de 10% para um transplante de células-tronco. Ele destaca que apesar dos resultados positivos este “Não é um tratamento que seria oferecido amplamente a pacientes com HIV que estejam em um tratamento antirretroviral de sucesso.”. 

Como foi confirmada a remissão? 

A remissão nos casos de infecção por HIV acontece quando o paciente encontra-se sem nenhuma evidência da doença.  

No caso do “paciente de Londres” para confirmar a ausência do vírus no organismo foram testados diversos locais onde ele gosta de permanecer. E praticamente todos os resultados foram negativos, afirma Gupta. 

Alguns restos de material genético viral foram encontrados em amostras de tecidos, mas os pesquisadores afirmam que seriam resquícios fósseis. São fragmentos virais que não são suficientes para a replicação viral. 

A evolução da medicina não para, a cada dia novidades surgem trazendo a possibilidade de novos tratamentos. Você, médico do futuro, já se imaginou sendo o descobridor da cura para uma nova doença como AIDs ou Câncer?

Qual doença você gostaria de descobrir a cura? Comenta aqui embaixo! 

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of