Gás Nobre, o post de hoje é um especial sobre o Césio 137: maior acidente radiológico do mundo completa 30 anos e ao final do post tenho uma apostila gratuita sobre Radioatividade para você que ficar interessado no assunto.

O maior acidente radiológico do mundo (Césio 137) aconteceu no dia 13 de setembro de 1987, após dois catadores de materiais recicláveis encontrarem um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica de radiologia. Eles começaram a desmontá-lo em casa e depois o venderam a um ferro-velho, onde foi feita a descoberta. Oficialmente, cerca de 112 mil pessoas foram examinadas, das quais, 249 tiveram algum tipo de contaminação e quatro morreram. A contaminação atingiu ainda 45 locais públicos e demandou monitoramento de mais de 2 mil km de malha viária.

Césio 137: Consequências

Algumas horas após o contato com a substância, vítimas apareceram com os primeiros sintomas da contaminação (vômitos, náuseas, diarreia e tonturas). Um grande número de pessoas procurou hospitais e farmácias reclamando dos mesmos sintomas. Como ninguém imaginava o que estava ocorrendo, tais enfermos foram medicados como portadores de uma doença contagiosa. Dias se passaram até que foi descoberta a possibilidade de se tratar de sintomas de uma Síndrome Aguda de Radiação.

Somente no dia 29 de setembro de 1987, após a esposa do dono do ferro-velho ter levado parte da máquina de radioterapia até a sede da Vigilância Sanitária, é que foi possível identificar os sintomas como sendo de contaminação radioativa.

Os médicos que receberam o equipamento solicitaram a presença de um físico nuclear para avaliar o acidente. Foi então que o físico Valter Mendes, de Goiânia, constatou que havia índices de radiação na Rua 57, do Setor Aeroporto, bem como nas suas imediações. Diante de tais evidências e do perigo que elas representavam, ele acionou imediatamente a Comissão Nacional Nuclear (CNEN).

O ocorrido foi informado ao chefe do Departamento de Instalações Nucleares, José Júlio Rosenthal, que se dirigiu no mesmo dia para Goiânia. No dia seguinte, a equipe foi reforçada pela presença do médico Alexandre Rodrigues de Oliveira, da Nuclebrás (atualmente, Indústrias Nucleares do Brasil) e do médico Carlos Brandão da CNEN. Nesse momento, a Secretaria de Saúde do estado começou a realizar a triagem dos suspeitos de contaminação em um estádio de futebol da capital.

Césio 137: Medidas adotadas para a descontaminação

A primeira medida tomada foi separar todas as roupas das pessoas expostas ao material radioativo e lavá-las com água e sabão para a descontaminação externa. Após esse procedimento, as pessoas tomaram um quelante denominado de “azul da Prússia”. Tal substância elimina os efeitos da radiação, fazendo com que as partículas de césio saiam do organismo pela urina e fezes. Todavia, isso não foi suficiente para evitar que alguns pacientes viessem a óbito.

O trabalho de descontaminação dos locais atingidos não foi fácil. A retirada de todo o material contaminado com o césio-137 rendeu cerca de 6000 toneladas de lixo (roupas, utensílios, materiais de construção etc.).

Césio 137: Rejeitos

O espaço onde estão os rejeitos fica em uma área de 32 alqueires, dentro do Parque Estadual Telma Otergal, em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia,  às margens da BR-060.

Neste local, foi construído o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), que é vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Sua função é monitorar o entulho do césio e promover pesquisas na área ambiental ligadas à radioatividade.

Os rejeitos levados para o CRCN-CO tinham previsão de permanência temporária. Porém, após dez anos, o depósito tornou-se definitivo. Ao todo, são 6 mil toneladas de restos infectados. Os mais comuns e de menor intensidade – cerca de 40% do montante – estão em uma caixa menor. Os outros 60%, de maior potencial radiológico à época, foram acondicionados em um contêiner de 60 metros de comprimento por 18 metros de largura e 8 metros de altura. A espessura da parede é de 50 centímetros.

“Ali, foi colocado o que apresentava mais radioatividade, incluindo 50 veículos, nove casas totalmente demolidas e 45 ruas inteiras que foram arrancadas. Além disso, também há árvores, roupas, utensílios domésticos e animais que tiveram de ser sacrificados”, explicou o assistente em Ciência e Tecnologia do CRNC-CO, Marco Antônio Pereira da Silva.

A fonte onde foi encontrado o césio-137 também está nesse recipiente. Todo o material foi colocado dentro de caixas e tambores de aço e acondicionados dentro do contêiner. Os espaços vagos que ainda persistiram foram preenchidos por uma mistura de argila e betonita, um material aglutinante e absorvente.

A caixa, que está ao nível do solo, foi recoberta ainda por camadas de brita, areia, terra e grama. “Temos aqui o que é considerado o mais moderno em relação a depósito de material radioativo. Nunca houve uma contaminação. A caixa é praticamente inviolável”, pontua Silva.

De acordo com ele, três fatores pesaram, essencialmente, para a escolha do local como depósito definitivo dos dejetos. “Primeiro, o fato de aqui ter sido uma pedreira e por conter estrutura geológica favorável. Em segundo, pelo fato da área já ser do estado. Por fim, pela facilidade dos rejeitos já terem sido trazidos para cá, inicialmente, de forma provisória. Seria um trabalho desnecessário transferi-los”, enumera.

Césio 137: Complexo do CRCN-CO

O complexo conta com cerca de 30 servidores e é resguardado 24 horas pelo Batalhão da Polícia Militar Ambiental. Além disso, uma equipe de emergência com sete pessoas se reveza para agir em qualquer tipo de ocorrência específica, seja no parque ou fora dele. Estruturalmente, o CRCN-CO é formado por quatro prédios:

  • Centro de Informação: é o setor onde está a recepção. Lá se encontram um pequeno museu com painéis informativos sobre o acidente, além de maquetes dos prédios e do parque, uma biblioteca e um auditório.
  • Laboratório de Radiologia: onde é feito o controle ambiental.
  • Centro e Estudos e Formação: abriga a sede administrativa.
  • Laboratório de Radioproteção: local onde são realizadas as análises químicas. A equipe de emergência também está nesse setor.

O CRCN-CO realiza visitas guiadas, principalmente de escolas: são cerca de 5 mil alunos por ano. O passeio inclui uma palestra e ida até a área próxima de onde está enterrado o material contaminado.

Césio 137: Região do acidente sem riscos

Com todo esse aparato, Barbosa deixa claro que os riscos de algum tipo de vazamento ou nova infecção pelo césio-137 são praticamente nulos. Segundo ele, o nível de proteção dos rejeitos é tão grande e bem formulado que beira o “exagero”.

“Um fator [de risco] é a questão da migração do césio. Mas a probabilidade disso acontecer é extremamente pequena. As técnicas usadas para criar barreiras são sofisticadas, muito elaboradas e até exageradas em alguns pontos. O risco à sociedade é mínimo, podemos dizer que zero”, destaca.

Clinicamente, a possibilidade de qualquer tipo de contágio também é praticamente nula. Essa é a opinião do cirurgião oncologista José Carlos de Oliveira, que tem mais de 30 anos de experiência no tratamento de câncer. Ele diz que não há qualquer resquícios de césio do acidente e crava:

“Goiânia está livre do Césio”.

“O mal causado à saúde depende do tipo de radiação. Se for muito baixa, ocorrem lesões na pele, que podem levar ao câncer de pele, que é o mais comum. Porém, se for muito alto, pode mutar o DNA das células, provocar infecções agudas, como pneumonias e úlceras, e fazer com que os órgãos parem de funcionar, causando a morte”, pontua.

O especialista destacou ainda que não houve relação entre o acidente radiológico e a quantidade de casos de câncer em Goiânia nos anos seguintes à ruptura da cápsula.

“De acordo com Registro de Câncer de Base Populacional de Goiânia, que iniciou em 1988 e é medido até a data atual, vimos que as taxas de incidência de câncer não se modificaram em relação ao césio. Hoje, ele não é um fator de risco para nós”, detalha.

Punições aos culpados e assistência às vítimas

No ano de 1996, a Justiça julgou e condenou por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) três sócios e funcionários do antigo Instituto Goiano de Radioterapia (Santa Casa de Misericórdia) a três anos e dois meses de prisão, pena que foi substituída por prestação de serviços.

Atualmente, as vítimas reclamam da omissão do governo para a assistência tanto médica como de medicamentos. Para tentar resolver a situação, eles fundaram a associação de Vítimas Contaminadas por Césio-137 e lutam contra o preconceito ainda existente.

Texto extraído e adaptado do site G1 e Brasil Escola.

Apostila Gratuita sobre Radioatividade

Pra você que ficou até aqui, Gás Nobre, segue o presente que eu te prometi, uma apostila que eu falo um pouco mais sobre a radioatividade. Só clicar na imagem abaixo e reagir

 

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